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Protestos que começaram há dois meses cresceram depois de greve de força policial. Ruas e rodovias foram tomadas por manifestantes que exigem a renúncia do presidente hondurenho

Juan Orlando Hernández
Wikimedia Commons
Juan Orlando Hernández, presidente de Honduras desde 2014, foi reeleito em 2018 para novo mandato sob acusações de fraude eleitoral


Milhares de manifestantes bloquearam ruas e estradas de Honduras na noite de quarta-feira, pedindo a renúncia do presidente Juan Orlando Hernández , que foi reeleito em 2017 em um pleito contestado como fraudulento.

A ampliação dos protestos que vêm ocorrendo há dois meses , contra reformas acusadas de visar ampliação da privatização dos serviços de educação e saúde, foi facilitada por uma greve da Direção Nacional de Forças Especiais (DNFE), a polícia antidistúrbio que se retirou das ruas de Honduras . Os integrantes da corporação pedem benefícios sociais, como a revisão dos seus seguros de vida e a criação de um fundo para gastos com saúde.

Durante a madrugada desta quinta-feira, os manifestantes ergueram barricadas de pedras e pneus incendiados nas ruas.

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"A base da Polícia Nacional ratifica seu compromisso em favor do povo hondurenho. Manteremos a garantia de não repressão contra nosso povo e de respeito a seus direitos humanos", disse um agente com o rosto coberto por uma máscara, lendo um comunicado.  "Expressamos nosso mal-estar e descontentamento com o governo diante da atual crise ", acrescentou, ao lado de outros policiais, no portão de entrada do quartel da DNFE.

De acordo com imagens exbidas por emissoras de TV locais, o bloqueio das ruas e estradas se estendia a outras cidades além da capital, Tegucigalpa. O governo também enfrenta o segundo dia de uma greve de caminhoneiros, que já provoca falta de combustíveis nos postos.

A residência presidencial era protegida na noite de quarta-feira pelas forças da Polícia Militar e do Exército, enquanto nas ruas os manifestantes gritavam "fora JOH, fora JOH", referindo-se ao presidente pelas iniciais do seu nome. O chefe da polícia, Orlin Cerrato, disse em uma entrevista coletiva que estava procurando uma solução para a reivindicação dos integrantes das forças antidistúrbios, que somam 3 mil homens. 

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No dia 28 de junho, na próxima semana, completam-se dez anos do golpe que derrubou o presidente hondurenho Manuel Zelaya, acusado de buscar organizar um referendo para obter a aprovação popular para mudar a Constituição , que proibia a reeleição, e disputar um segundo mandato.

Juan Orlando Hernández, eleito pela primeira vez em 2014, mudou a composição da Suprema Corte, que avalizou a mudança constitucional. Sua reeleição no final de 2017 foi contestada pela coalizão opositora, e a Organização dos Estados Americanos chegou a pedir a realização de um novo pleito.

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Honduras é um dos países que mais exportam imigrantes para os Estados Unidos, expulsos pela pobreza e a violência que assolam o país.