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Chanceler mexicano diz que acordo para conter imigração alcançado na sexta-feira será avaliado em 45 dias; propostas devem passar por Congresso

 Trump
Divulgação
Trump anunciou que imporia as tarifas, caso o México não sustasse a entrada de imigrantes sem documentos nos EUA

O presidente americano, Donald Trump, voltou a ameaçar nesta segunda-feira impor tarifas sobre  os produtos mexicanos, alegando que o país vizinho  assumiu mais compromissos para frear a imigração para os Estados Unidos do que foi divulgado na sexta-feira. Segundo Trump, cláusulas até agora secretas do acordo que suspendeu a aplicação de tarifas de 5% a partir de hoje terão que ser aprovadas pelo Congresso do México.

"Nós assinamos e documentamos por completo outra parte muito importante do pacto de imigração e segurança com o México, algo que os Estados Unidos estão tentando realizar há muitos anos. Ele será revelado em um futuro não muito distante e precisará ser aprovado pelo Legislativo do México", disse o presidente americano via Twitter. "Nós não antecipamos nenhum problema com a votação, mas, caso a aprovação não aconteça, as tarifas serão aplicadas", completou o presidente.

Já em campanha à reeleição e frustrado porque o Congresso não aprovou as verbas que pediu para construir um muro em todos os 3 mil quilômetros da fronteira com o México, Trump anunciou em 30 de maio que imporia as tarifas, caso o governo mexicano não sustasse por completa a entrada de imigrantes sem documentos nos Estados Unidos. Inicialmente de 5% a partir de 10 de junho, a alíquota cresceria até atingir 25%. Ele alegou razões de segurança nacional para fazer a ameaça.

Depois de uma semana de negociações frenéticas, um acordo foi anunciado na sexta-feira, em Washington. Pelo acordo, o México prometeu reforçar a presença de sua Guarda Nacional em 11 municípios ao longo da fronteira com a Guatemala, porta de entrada de centro-americanos a caminho dos EUA. Os mexicanos também aceitaram ampliar um programa pelo qual os EUA enviam requerentes de asilo de volta ao México, onde esperam o desenrolar de seus processos.

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A ameaça de imposição de tarifas havia sido criticada por amplos setores empresariais e políticos nos Estados Unidos,  incluindo congressistas republicanos cujos estados dependem do comércio com o México. No fim de semana, o jornal New York Times informou que grande parte do que foi acordado na sexta-feira já vinha sendo discutido entre os dois governos antes de Trump falar na imposição de tarifas. A nova ameaça desta segunda-feira está sendo visto como uma tentativa de Trump de mostrar que conseguiu o que queria.

Logo após os tuítes de Trump, o ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, disse que a eficácia das medidas acertadas na sexta serão avaliadas em 45 dias. Falando ao lado do presidente Andrés Manuel López Obrador, Ebrard disse que, se o México conseguir comprovar a redução no número de imigrantes que cruzam o país, será um indício de que as ações tomadas estão funcionando.

Ebrard lembrou que, no início das negociações, o governo Trump queria reduzir a zero o número de imigrantes irregulares que entram pela fronteira com o México, o que é considerado uma meta inexequível. Ele reconheceu que, se as medidas acordadas não funcionarem, é possível que Washington volte a exigir que o país receba os pedidos de asilo de todos os imigrantes que são presos ao entrar nos Estados Unidos. Essa era uma exigência inicial da Casa Branca que o México conseguiu contornar nas negociações. 

Na entrevista coletiva, López Obrador disse ainda que o Senado mexicano deverá ratificar na próxima semana o Acordo Estados Unidos, México e Canadá. O tratado que substituirá o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), em vigor desde 1994, já estava pronto para ser votado pelos Legislativos dos três países quando Trump ameaçou punir os mexicanos com tarifas.

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Apesar de o México estar acelerando desde abril a deportação de centro-americanos que entram no país rumo aos Estados Unidos, mais de 132 mil pessoas foram detidas enquanto tentavam cruzar a fronteira americana em maio, o maior número mensal desde 2006.

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