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Durante cerimônia que marcou os 30 anos da morte do aiatolá Khomeini, Khamenei afirmou que os Estados Unidos não vão enganar os iranianos

Ali Khamenei
Divulgação
Líder supremo, aiatolá Ali Khamenei diz que Irã não vai abandonar programa de mísseis balísticos

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei , afirmou nesta terça-feira (4) que o país não vai abandonar seu programa de mísseis balísticos — e que o governo não será enganado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

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"O presidente dos EUA disse que o Irã pode se desenvolver com os atuais líderes. Isso significaria que eles não querem uma mudança de regime. Mas esse truque político não vai enganar a nação iraniana", afirmou Khamenei.

O discurso marcou o aniversário de 30 anos da morte do fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini . Milhares de pessoas se reuniram no gigantesco mausoléu construído nos arredores de Teerã. Um forte esquema de segurança foi montado em toda a capital, incluindo baterias antiaéreas.

Durante o discurso, o líder supremo do Irã lembrou algumas da ideias defendidas por Khomeini — e, citando o programa de mísseis, disse que garantiu ao Irã uma condição de estabilidade e segurança. Algo que, para ele, não agrada países como os EUA.

O programa iraniano de mísseis balísticos é alvo de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU, especialmente a Resolução 1929, de 2010, que estabelece uma série de punições e medidas restritivas.

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Ameaça de guerra e aceno à diplomacia

Desde a chegada de Trump ao poder, em 2017, o tom da Casa Branca em relação ao Irã mudou de forma drástica. Ao invés da estratégia de diálogo, do governo Obama, a opção foi pelo enfrentamento. O ápice veio no ano passado, quando os EUA deixaram o acordo para controle do programa nuclear iraniano, conhecido pela sigla JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global, em inglês), e a subsequente retomada das sanções econômicas.

Desde então os dois lados passaram a trocar provocações, chegando a levantar a possibilidade de um conflito armado. O acordo nuclear ainda segue em vigor, mas o Irã já sinalizou que poderia abandonar alguns dos compromissos assumidos de forma voluntária, como o sobre o envio de material nuclear para o exterior, por causa das sanções econômicas.

Contudo, em mais uma reviravolta, os EUA passaram a adotar, nas últimas semanas, um tom mais brando ao falar sobre o Irã. Trump deixou claro que a mudança de regime não era um objetivo - e o Secretário de Estado, Mike Pompeo, se disse pronto para iniciar negociações com Teerã “ sem pré-condições ”.

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O Irã chamou a oferta de “jogo de palavras”, mas o presidente Hassan Rouhani não descartou a possibilidade de se sentar à mesa com os americanos, desde que algumas das sanções atuais, incluindo sobre aexportação de petróleo ao, sejam suspensas.