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Relator especial da ONU sobre a Tortura afirmou que o fundador do WikiLeaks foi exposto a "formas graves de tratamento punitivo" por anos

Julian Assange
PA
O fundador do WikiLeaks teve seu asilo na embaixada do Equador revogado em abril

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, apresenta todos os sintomas de uma exposição prolongada de "tortura psicológica" e não deve ser extraditado para os Estados Unidos, disse nesta sexta-feira (31) o relator especial da ONU sobre a Tortura, Nils Melzer, que visitou o australiano na prisão. 

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O especialista afirmou em comunicado que Assange foi "deliberadamente exposto" a "formas graves de tratamento punitivo" por vários anos. "A perseguição coletiva de Julian Assange deve terminar agora", exigiu Melzer.

O relator da ONU deve lançar ainda nesta sexta seu apelo ao governo de Londres a favor do ativista, um mês depois de sua prisão.  Ele visitou o fundador do WikiLeaks no último dia 9 de maio junto a dois especialistas médicos. Segundo Melzer, Assange, que está detido em uma prisão de segurança máxima, além de apresentar doenças físicas, sofre com "uma ansiedade crônica e traumas psicológicos intensos".

Na quinta-feira (29), o jornalista não apareceu em uma audiência por vídeo com o tribunal de Westminster alegando problemas de saúde. Para o especialista da ONU , desde que o WikiLeaks começou a "publicar evidências de crimes de guerra e torturas cometidas pelas forças dos Estados Unidos", houve uma campanha "implacável" contra Assange, "não apenas no território norte-americano, mas também no Reino Unido, na Suécia e mais recentemente no Equador".

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Melzer condenou "da forma mais absoluta o caráter intencional e sustentado dos abusos infligidos ao australiano". "Assange foi exposto de forma deliberada, durante vários anos, a formas graves de penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, cujos efeitos acumulativos só podem ser descritos como tortura psicológica", acrescentou.

De acordo com o comunicado, em cartas oficiais enviadas no início desta semana, o especialista exortou os quatro governos envolvidos a absterem-se de declarações ou ações prejudiciais ao ativista.

Ele também pediu ao governo britânico que não o extradite para os Estados Unidos ou qualquer outro país que não dê garantias contra sua transferência para os EUA, onde corre o risco de "perpétua punição ou até mesmo morte, se novas acusações forem acrescentadas no futuro".

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Assange , de 47 anos, está preso em Londres desde abril, após ter sido removido da Embaixada do Equador no Reino Unido, onde vivia desde 2012. Os EUA querem a extradição dele, assim como a Suécia, onde é acusado de estupro. Se condenado pela Justiça americana, o criador do WikiLeaks pode pegar até 10 anos de prisão para cada acusação.