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Buenos Aires tem acessos bloqueados e serviços suspensos nesta quarta; trabalhadores pedem aumentos salariais alinhados com a inflação de 55%

Greve geral na Argentina
Reprodução/LaNacion
Greve geral contra política econômica de Macri suspende maioria dos serviços em Buenos Aires, nesta quarta-feira (29)

Durante a corrida eleitoral pela Presidência da Argentina, uma greve geral a nível nacional dos principais sindicatos do país protesta contra as medidas de ajuste econômico do
presidente Maurício Macri, que almeja a reeleição em outubro.

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Macri enfrenta diversas críticas por conta da crise econômica que o país sul-americano se encontra. Em Buenos Aires, foram suspensos nesta quarta-feira (29) os serviços de
transporte público, enquanto não funcionavam escolas, universidades nem bancos. Os hospitais atendem apenas casos de emergência.

Com várias ruas vazias e poucos estabelecimentos comerciais abertos dentro da capital, diferentes acessos à maior cidade argentina eram bloqueados por piquetes de organizações
sociais e partidos de esquerda. A polícia foi mobilizada para evitar o bloqueio total do trânsito.

Outras cidades, tal como Mendoza e Tucumán, também registram paralisação dos serviços de transporte e falta de alunos nas escolas, segundo La Nación. A capital, entretanto, é a
cidade mais afetada.

Convocados para a paralisação pela poderosa central sindical Confederação Geral do Trabalho (CGT), sindicatos desejam a redução dos impostos e aumentos salariais alinhados com o índice inflacionário de 55% por ano. Também protestam contra o aumento do desemprego, que em 2018 fechou com índice de 9,1%. A pobreza afeta 32% da população.

Em vídeo difundido nas redes sociais, a CGT afirmou: "Porque a deterioração da situação econômica e social se agrava a cada dia porque a inflação destrói o poder aquisitivo dos
salários, por uma mudança no rumo das políticas econômicas do governo, paramos".

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"A paralisação será efetiva porque as exigências não recebem resposta nem atenção do governo", disse Hugo Moyano, do sindicato dos caminhoneiros. "Há muita discordância com o
governo. Muitos trabalhadores votaram neste governo porque iria retirar o imposto sobre o trabalho (sobre a renda) e acreditaram nisso, mas hoje não voltarão a se equivocar",
acrescentou.

Esta é a quinta greve geral que Macri enfrenta desde que assumiu a Presidência em dezembro de 2015 com a coalizão de centro-direita Mudemos. A paralisação mais recente aconteceu em 30 de abril.

Greve geral na Argentina
Reprodução/LaNacion
Manifestantes bloqueiam ruas de Buenos Aires em greve geral contra políticas de Maurício Macri

Segundo o Ministério da Fazenda argentino, o país perde 40 bilhões de pesos argentinos (equivalente a cerca de R$ 3,6 bilhões) por conta da greve. O valor equivale a 0,22% do
Produto Interno Bruto (PIB) anual do país.

A Argentina entrou em recessão em 2018, após duas corridas cambiais que provocaram o aumento da inflação e levaram o governo de Macri a assinar um acordo para receber ajuda de
US$ 56 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Em troca, a Argentina se comprometeu a alcançar o equilíbrio fiscal em 2019 e superávit em 2020. O plano de ajuste é rejeitado pelos sindicatos.  Macri está caindo nas pesquisas de opinião para as eleições de outubro. Seus maiores rivais são os candidatos a presidente Alberto Fernández e a vice-presidente Cristina Kirchner.