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Raul Morodo, principal suspeito no caso, não foi preso devido à sua idade avançada, mas será chamado a depor; outras três pessoas foram detidas

ex-embaixador
Reprodução
Hugo Chávez e ex-embaixador da Espanha na Venezuela

A polícia espanhola deteve, nesta segunda-feira (20), quatro pessoas ligadas ao ex-embaixador da Espanha na Venezuela Raúl Morodo, dentre elas seu filho, suspeito de lavagem de dinheiro relacionada à companhia estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA).

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Além de Alejo Morodo, filho do ex-embaixador , foram detidas três outras pessoas. O diplomata, principal suspeito no caso, não foi preso devido à sua idade avançada — ele tem 83 anos — mas será chamado a depor. Na operação foram feitas oitos buscas, inclusive em escritórios em Madri do ex-embaixador da Espanha na Venezuela entre 2004 e 2007, durante o governo de José Luis Zapatero. Segundo a investigação, Morodo teria supostamente lavado capitais na Espanha, através de contratos falsos de assessoria profissional à PDVSA.

A investigação foi iniciada por um juiz da Audiência Nacional, após uma denúncia do gabinete do procurador-geral contra a corrupção que quantificou em 4,5 milhões de euros o dinheiro cobrado de forma irregular da petrolífera por Raul Morodo. Professor de Direito Constitucional, o ex-embaixador foi um dos fundadores do Partido Socialista Popular (PSP), juntamente com Enrique Tierno Galván, ex-prefeito de Madrid, e considerado uma das figuras-chave da transição democrática

Os investigados teriam cometido crimes de lavagem de dinheiro em transações comerciais internacionais, além de falsificação de documentos e delitos fiscais, realizados entre 2012 e 2015. O caso está relacionado com os bens da empresa pública PDVSA investigados em vários tribunais espanhóis.

Os investigadores suspeitam que o dinheiro foi enviado para Espanha como pagamento desses contratos e através de um esquema complexo de pagamentos que acabaram em investimentos imobiliários.

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O desvio de capitais da PDVSA está sendo investigado em Portugal, Andorra, Espanha, e também nos Estados Unidos, com várias dezenas de cidadãos venezuelanos suspeitos de lavar centenas de milhões de euros obtidos através de subornos, quando tinham cargos em empresas públicas nos tempos da presidência do ex-presidente Hugo Chávez.