Tamanho do texto

Guaidó diz que conversas não significam negociação com Maduro; por sua vez, o Grupo de Lima cancelou reunião à espera de resultado de missão

Venezuela
Reprodução/Twitter
Guaidó disse entender o quão polêmico deve ser, para seus seguidores, uma negociação da Venezuela na Noruega

A Noruega confirmou nesta sexta-feira que media conversas entre representantes do governo e da oposição da Venezuela em meio a esforços internacionais pela solução da crise política que assola o país sul-americano há quatro meses. O Ministério das Relações Exteriores da Noruega apontou que mantêm "contatos preliminares" com atores políticos venezuelanos, comprometida com a articulação de uma saída pacífica para o impasse. A iniciativa mediadora nórdicasurpreendeu parte dos opositores de Nicolás Maduro, que souberam das reuniões pela imprensa do país.

Leia também: Polícia cerca Parlamento da Venezuela após suspeita de bomba

O presidente da Venezuela não mencionou os contatos, mas declarou que seu ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, participava na Europa de uma "missão muito importante para a paz" e que retornaria em breve. Já o líder opositor Juan Guaidó confirmou as conversas na Noruega e esclareceu que uma delegação da oposição venezuelana participa de uma "mediação" para tentar resolver a crise, sem que isso signifique qualquer diálogo com Maduro.

"Não há nenhum tipo de negociação", disse Guaidó , durante reunião política em Caracas.

O presidente da Assembleia Nacional, que não reconhece a legitimidade do segundo mandato do líder bolivariano, destacou que a Noruega articula a mediação "há meses", período em que as partes não se reuniram frente a frente. O líder opositor, que revelou ser esta a segunda tentativa da Noruega, disse que tais reuniões se somam às organizadas por países como Canadá e pelo Grupo de Contato Internacional (GIC). Formado por nações europeias e latino-americanas, o GIC enviou uma missão a Caracas nesta semana que se reuniu, nesta quinta-feira, com delegados de Guaidó e de Maduro.

Leia também: Anistia pede a ONU que investigue Maduro por violação de direitos humanos

Guaidó reforçou que qualquer aproximação entre governistas e opositores tem os únicos objetivos de "fim da usurpação (de poder)", em referência à autoridade de Maduro ; de governo de transição e da realização de eleições livres. Os enviados da oposição à Noruega são o vice-presidente do Parlamento, Stalin González, e o ex-deputado Gerardo Blayde, segundo Guaidó. De acordo com a imprensa mundial, Maduro enviou o ministro Jorge Rodríguez e o governador da província de Miranda, Hector Rodríguez.

Guaidó defende 'explorar opções'

O autoproclamado presidente interino da Venezuela disse entender o quão polêmico deve ser, para seus seguidores, uma negociação como esta na Noruega, após sucessivas tentativas fracassadas de diálogo com o regime de Maduro — a última delas, em 2017, na República Dominicana, levou à antecipação de eleições presidenciais boicotadas pela oposição e nas quais o líder bolivariano foi reeleito sob denúncias de fraude e alta abstenção de votantes.

"Temos que responsavelmente explorar as opções", defendeu Guaidó.

País anfitrião do Prêmio Nobel da Paz e palco de acordos entre israelenses e palestinos, a Noruega tem longa tradição de ser "facilitadora" em processos de paz. Destaque da atuação mediadora de Oslo ocorreu no acerto entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que desmobilizou a guerrilha em 2016.

Enquanto muitos Estados europeus reconheceram Guaidó como presidente interino da Venezuela, a Noruega se limitou a pedir novas eleições livres no país, um posicionamento interpretado como uma vontade de agir como intermediária entre os dois lados.

Nesta quinta-feira, o bloco de países sul-americanos dedicado a discutir soluções para a crise venezuelana suspendeu sua reunião na Guatemala prevista para segunda-feira. Segundo a porta-voz da Chancelaria guatemalteca, Marta Larra, chanceleres e coordenadores nacionais do Grupo de Lima decidiram adiar as novas conversas para esperar os resultados da missão enviada à Venezuela pelo Grupo Internacional de Contato (GIC).

Leia também: Eduardo Bolsonaro diz na Argentina que rechaça intervenção militar na Venezuela

Representantes do GIC e do Grupo de Lima se reunião nos próximos dias para analisar a situação na Venezuela , segundo a porta-voz. Ela não precisou uma nova data para a reunião de chanceleres na Guatemala, agendada na esteira da intensificação do conflito decorrente do frustrado levante liderado por opositores para depor Maduro. Guaidó teria destacado aos representantes da oposição na Europa a necessidade de trabalhar para alinhar os esforços desses grupos a fim de afastar o líder bolivariano do poder.