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Ali Sipahi é acusado de ter ajudado a organizar o movimento no Brasil por meio do Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT), ligado ao Hizmet

Ali Sipahi foi preso no Brasil e gerou discussão na comunidade da Turquia
Divulgação / Centro Cultural Brasil-Turquia
Ali Sipahi foi preso no Brasil e gerou discussão na comunidade da Turquia


O empresário turco Ali Sipahi , que estava preso em São Paulo desde 6 de abril acusado de terrorismo pelo governo da Turquia , disse que nunca teve atividades políticas e que acredita na Justiça brasileira. As declarações foram dadas na tarde desta quarta-feira na porta da Justiça Federal, onde ele participou de audiência antes de recuperar a liberdade. 

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"Foi a primeira vez que fui preso, uma surpresa. Sou uma pessoa normal, nada política, um empresário que tem restaurantes. Quero seguir minha vida normal, como um brasileiro naturalizado, sem relação com o governo da Turquia ", afirmou Sipahi.

Questionado se sentiu medo enquanto esteve preso, o empresário disse que não. "Medo não tive. O Brasil é um país que tem Justiça. Eu acredito na Justiça brasileira. Continuo confiando na Justiça brasileira . Acho que vai dar certo".

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No pedido de extradição, o governo turco diz que Sipahi faz parte do movimento Hizmet, ligado ao religioso muçulmano Fethullah Gülen, e que faz oposição ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. A organização é classificada como terrorista pelo governo da Turquia, embora esteja presente em mais de 100 países ao redor do mundo.

Sipahi é acusado de ter ajudado a organizar o movimento no Brasil por meio do Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT), ligado ao Hizmet. Uma das evidências mencionadas pela Turquia seria um depósito feito por ele em uma conta que mantinha no banco Asya, ligado ao Hizmet, no valor de 1.721 liras turcas, o equivalente a R$ 1,1 mil. Segundo integrantes do movimento no Brasil, o depósito foi feito em uma conta no nome do próprio Sipahi no banco, que na época funcionava legalmente.

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Nesta terça-feira (7), o ministro Edson Fachin ordenou a soltura do empresário turco . Em sua decisão, determinou que o empresário cumpra recolhimento domiciliar noturno, use tornozeleira eletrônica e entregue seu passaporte à Polícia Federal. Para Fachin, o fato de ele residir em território brasileiro desde 2007, possuir nacionalidade brasileira, atividades empresariais e bons antecedentes criminais permitem a substituição da prisão preventiva por outras medidas cautelares sem qualquer aviso ao governo da Turquia .