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Durante a campanha, Cortizo prometeu limpar a política do país, cuja imagem foi maculada por escândalo de corrupção envolvendo empreiteira

Nito Cardozo
Divulgação/campanha Nito Cardozo
"Nito" Cardozo foi eleito presidente do Panamá em eleição com margem apertada


O político veterano com formação nos Estados Unidos Laurentino “Nito” Cortizo venceu a eleição presidencial mais acirrada da História do Panamá, realizada neste domingo (5), e pediu união nacional depois de receber apenas cerca de um terço dos votos (33,2%) em um país claramente dividido sobre sua escolha na votação de turno único. Ele ficou apenas cerca de dois pontos percentuais à frente do segundo colocado, Rómulo Roux, com cerca de 31% do eleitorado. 

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"O Panamá venceu hoje, e hoje, mais do que nunca, o Panamá precisa unir forças", disse o ex-ministro da Agricultura a apoiadores entusiasmados no discurso que fez à meia-noite em hotel que serviu de sede da sua campanha.

Durante a campanha, Cortizo prometeu limpar a política do país, cuja imagem foi maculada por um escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht e pelo caso dos Panamá Papers, o vazamento de milhões de documentos que detalham a sonegação fiscal de algumas das pessoas mais ricas do mundo usando a nação famosa por seu canal.

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"Os panamenhos não querem, ou merecem, nem tolerarão mais do mesmo. Os fundos públicos pertencem ao público, e são sagrados", acrescentou Cortizo.

Candidato pelo partido Câmbio Democrático (CD),  do ex-presidente Ricardo Martinelli, preso em investigação de um escândalo de espionagem, Roux relutou em admitir a derrota, dizendo que encontrou irregularidades nas urnas de algumas zonas eleitorais.

"Estamos realmente incomodados com esta situação", disse Roux ainda na noite de domingo.

Cortizo tomará posse em 1º de julho, e terá que equilibrar relações com os Estados Unidos e a China, uma vez que o presidente em fim de mandato Juan Carlos Varela irritou Washington estabelecendo laços diplomáticos formais com Pequim, hoje a segunda maior cliente do canal.

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Os resultados de Cortizo e Roux asseguraram a hegemonia da polícia tradicional no Panamá, com outros cinco candidatos dividiram a preferência do restante do eleitorado. Entre eles, o com melhor desempenho foi Ricardo Lombana, candidato “anti-estabilishment”, que ficou com cerca de 20% dos votos.

Na manhã desta segunda, representantes de vários países, como o Mèxico, já congratulavam Cortizo pela vitória, seguindo o atual mandatário do Panamá. Em uma ligação transmitida ao vivo ainda no domingo também, Varela parabenizou Cortizo, numa aparente tentativa de mostrar estabilidade no país após o resultado apertado da eleição.

Nenhuma eleição na nação centro-americana teve uma margem tão estreita desde a restauração da democracia em 1989, ocorrida depois da invasão americana que depôs o ditador Manuel Noriega.

O clima estava tenso no hotel em que os apoiadores de Cortizo passaram horas reunidos para esperar seu candidato com bandeiras vermelhas, brancas e azuis de seu Partido da Revolução Democrática (PRD). Eles começaram a gritar “Nito, Nito, Nito!” quando o tribunal eleitoral ligou com a notícia.

Roux, de 54 anos, que já trabalhou na agência que administra o canal e foi ministro das Relações Exteriores do ex-presidente Ricardo Martinelli, publicou fotos de planilhas de votos que afirmou terem sido mal contados no Twitter como evidência de supostas irregularidades. Diante disso, ele disse, que esperaria a contagem final para aceitar o resultado.

Pesquisas prévias ao pleito davam vantagem a Cortizo, mas tanto Roux quanto Lombana tiveram desempenhos melhores que os previstos."Em parte, foi uma surpresa, mas no fim o povo do Panamá tomou a decisão certa", disse Tomas Vega, candidato do PRD ao Congresso do país.