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May disse não haver razões para adiar o assunto logo que os parlamentares aprovem o acordo de saída da UE, algo que já foi rejeitado três vezes

Primeira-ministra do Reino Unido Theresa May
Reprodução/UK Prime Minister
Thereza May disse que pretende concretizar saída "muito antes do prazo final"

A primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou esperar que o Reino Unido se retire da União Europeia (UE), “muito antes” de 31 de outubro, data limite fixada por Bruxelas para concretizar o Brexit .

Durante reunião de uma hora e meia com os presidentes das principais comissões do parlamento britânico, Theresa May disse não haver razões para adiar o assunto logo que os parlamentares aprovem o acordo de saída da UE, o que já foi rejeitado em três oportunidades pelos legisladores.

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Depois da última derrota no parlamento, a UE estendeu a data limite, originalmente em 29 de março, até 31 de outubro. O principal problema que provocou a rejeição do acordo é o status que terá a fronteira da República da Irlanda, que integra o bloco europeu, e a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido.

Ministro da Defesa demitido

Em outro tema relevante para o Reino Unido, May demitiu o ministro da Defesa, Gavin Williamson . Ele foi investigado pela divulgação não autorizada de informações sobre uma reunião do Conselho de Segurança Nacional.

Numa carta endereçada a Williamson, a premiê afirma que, diante do decorrer da investigação, não pode mais ter "plena confiança" no ministro e que havia "evidência esmagadora" que apontava sua "responsabilidade no vazamento não autorizado". Williamson nega qualquer envolvimento.

A investigação sobre o vazamento de informações foi aberta depois que jornais britânicos noticiaram que, em reunião secreta, o Conselho de Segurança Nacional – responsável por supervisionar as questões relacionadas com a Segurança Nacional, a coordenação de Inteligência e a estratégia de Defesa – havia concordado que a gigante chinesa Huawei participasse da instalação da rede 5G no Reino Unido .

Em 24 de abril, o jornal Daily Telegrapgh noticiou que o governo teria dado sinal verde, em reunião do conselho, para que a Huawei contribuísse para a instalação da rede 5G, apesar das advertências sobre as possíveis ameaças de segurança que isso poderia implicar. Segundo a reportagem, Williamson fazia parte do pequeno grupo de ministros cujos alertas sobre a companhia asiática foram desautorizados por May.

Risco de espionagem

Responsáveis pela segurança de vários países temem um potencial risco de espionagem com o uso de equipamento da Huawei nas redes de telecomunicações, devido à proximidade da empresa com Pequim. O governo britânico insiste que nenhuma posição foi tomada ainda sobre a gigante chinesa.

O vazamento ocorreu num momento que o governo enfrenta problemas por causa das turbulências nas negociações do Brexit , acordo de saída do Reino Unido da União Europeia. Vários ministros se posicionaram contra a premiê.

"A primeira-ministra agradece a todos os membros do Conselho de Segurança Nacional pela total cooperação e pela sinceridade durante a investigação e dá o assunto por encerrado", disse o porta-voz de May.

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Williamson chegou ao ministério em novembro de 2017, assumindo o cargo no lugar de Michael Fallon, que renunciou devido a um caso de assédio sexual a uma jornalista. Ele será substituído pela atual secretária de Cooperação Internacional, Penny Mordaunt. Ela se torna assim a primeira mulher a liderar a pasta de Defesa do Reino Unido.

* Com informações da Deutsche Welle, agência pública de notícias da Alemanha, e da Télam, agência pública de notícias da Argentina