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Líder da oposição pede que as pessoas ocupem as ruas da Venezuela para manifestações em tentativa de derrubar o presidente Nicolás Maduro

O líder da oposição na Venezuela, Juan Guaidó, convocou a população a voltar às ruas nesta quarta-feira (1º), Dia do Trabalhador. Em uma mensagem publicada hoje logo cedo, no Twitter, o autoproclamado presidente interino escreveu: "Seguimos com mais força que nunca".

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Vídeo mostra momento em que blindado da Guarda Nacional Bolivariana atropela manifestantes
Reprodução
Vídeo mostra momento em que blindado da Guarda Nacional Bolivariana atropela manifestantes

A incitação de novos protestos vem logo após um dia conturbado na Venezuela , quando Guaidó pegou a todos de surpresa, tentando liderar um levante militar contra o presidente Nicolás Maduro.

De acordo com a imprensa venezuelana, foram confirmadas por autoridades ao menos 78 feridos no distrito de Chacao, onde se concentraram as manifestações opositoras de terça-feira (30).

Trata-se de uma da áreas mais nobres da capital venezuelana, Caracas. Dentre eles, 48 foram atingidos por balas de borracha, três por tiros de armas de fogo, 21 por agressões físicas e três por problemas respiratórios.

No total, entretanto, o Observatório de Conflitos Sociais identificou 109 pessoas feridas em todo o país. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) confirma que houve protestos em 24 estados venezuelanos, dos quais 12 tiveram registro de repressão.

Por sua vez, a ONG Foro Penal registrou 119 detenções ao longo do dia, incluindo 68 no estado de Zulia, cuja capital é a cidade de Maracaibo. Dos detidos, 11 são adolescentes, diz a organização.

Em vídeo, Guaidó pediu que a população contrária a Maduro se rebelasse, o que desencadeou uma série de protestos e ações violentas ao longo do dia.

Veja abaixo os principais acontecimentos no dia 30 de abril

  • Guaidó publica vídeo no qual, cercado por militares, diz que tem apoio das Forças Armadas e anuncia o "fim definitivo da usurpação" do poder por Maduro. As imagens foram gravadas perto da base de La Carlota, em Altamira, bairro de classe média alta de Caracas.
  • Maduro escreve na sua conta do Twitter que tem o apoio dos comandantes militares. "Nervos de aço! Conversei com os comandantes de todas as Redi (Regiões de Defesa Integral) e Zodi (Zonas de Defesa Integral) do país, que me manifestaram sua total lealdade ao povo, à Constituição e à Pátria. Convoco a máxima mobilização popular para assegurar a vitória da paz. Venceremos!"
  • Guaidó vai até a praça Altamira, a poucas quadras da base de La Carlota, e, falando em um megafone do alto de uma caminhonete, dirige-se à população. Afirma que é necessária "uma mudança de Constituição e de governo", convocando mais venezuelanos às ruas para participar daquela que chama de "Operação Liberdade".
  • O presidente Jair Bolsonaro se coloca ao lado de Juan Guaidó, afirmando que "o Brasil reafirma o seu apoio na transição democrática que se processa no país vizinho". Diversos outros governos que reconhecem o opositor de Maduro como presidente interino pedem que os militares fiquem ao seu lado e/ou se expressam favoráveis ao fim do regime de Maduro. Dentre eles, Colômbia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Enquanto isso, aliados de Maduro — incluindo Rússia, Cuba e Bolívia — denunciam uma tentativa de golpe de Estado.
  • Governo brasileiro pede, por meio de nota oficial, que outros países apoiem Juan Guaidó . “Exortamos todos os países, identificados com os ideais de liberdade, para que se coloquem ao lado do Presidente Encarregado Juan Guaidó na busca de uma solução que ponha fim na ditadura de Maduro, bem como restabeleça a normalidade institucional na Venezuela”.
  • 25 militares venezuelanos pedem asilo na embaixada brasileira na Venezuela, de acordo com o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rego Barros. Ele não diz, no entanto, se o Brasil concederá asilo aos militares.
  • O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, diz que "atos de violência" por alguns membros das Forças Armadas foram "parcialmente derrotados" e que a cúpula militar permanece "leal à Constituição". Na TV, assegurou que 80% dos militares retornaram a suas unidades Enquanto isso, aumentam os confrontos nas ruas de Caracas e um blindado atropela manifestantes que tentavam invadir a base de La Carlota.
  • A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, pede reunião de emergência do Grupo de Lima por videoconferência no mesmo dia para discutir a situação da Venezuela.
  • O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, diz que Leopoldo López , líder do partido de Juan Guaidó, o Vontade Popular, que se encontrava em prisão domiciliar e foi libertado nesta terça-feira em circunstâncias ainda nebulosas, está refugiado na embaixada do Chile em Caracas. Há informações de que ele planeja pedir asilo
  • No início da noite, a ONG Provea afirmou que 59 pessoas haviam dado entrada no centro médico Salud Chacao com ferimentos. 34 foram por tiros de chumbo, 18 por traumatismo, três por asfixia, uma por briga de socos e uma por arma de fogo. Essas pessoas teriam entrado em confronto com os militares que estão ao lado de Maduro.
  • A conclusão é que Juan Guaidó tenha falhado na terceira tentativa de tirar Nicolás Maduro do poder. O futuro do país, no entanto, ainda é incerto.

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A Venezuela atualmente tem uma população de 32 milhões de pessoas. Os personagens principais da crise que se arrasta há meses são: Nicolás Maduro, presidente; Juan Guaidó, líder da oposição e autoproclamado presidente; Leopoldo Lopez, líder opositor libertador; Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional Constituinte e que está ao lado de Maduro.