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Brasil deveria assumir presidência temporária do grupo neste momento; em março, Bolsonaro já havia anunciado saída da Unasul e criação da Prosul

Sede da Unasul em Quito, no Equador
Divulgação
Sede da Unasul em Quito, no Equador; Organização já estava paralisada há dois anos

O Brasil oficializou nesta segunda-feira (15) sua saída da União de Nações Sul-americanas (Unasul). O governo brasileiro, que já havia suspendido sua participação na Unasul, denunciou nesta segunda o "Tratado Constitutivo" da organização, afirmando que sua decisão entrará em vigor "transcorridos seis meses a partir do dia de hoje", de acordo com o Itamaraty .

O presidente Jair Bolsonaro confirmou a saída da Unasul pelo Twitter. Ele informou que o chanceler Ernesto Araújo formalizou a decisão  que já havia sido anunciada e que o país agora integrará o Fórum para o Progresso da América do Sul (Prosul). O Brasil deixa a Unasul no momento em que era a sua vez de exercer a presidência temporária do bloco, criado durante o auge dos governos de esquerda no continente na década passada. Em seu comunicado, no entanto, o Itamaraty não faz referência à presidência temporária.

Bolsonaro afirmou que o novo grupo terá a participação de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai e Peru. Ele também ressaltou que no grupo anterior só permanecem ativos o Uruguai, a Guiana, a Bolívia, o Suriname e a Venezuela. Em abril de 2018, os governos de Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru decidiram de forma conjunta suspender a sua participação em função da prolongada crise no organismo, quadro que, desde então, não se alterou.

Em 22 de março passado, em Santiago, Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai e Peru  assinaram documento indicando a vontade de constituir o Foro para o Progresso da América do Sul ( Prosul ).

A Unasul nasceu em 2008, auge dos governos de esquerda latino-americanos. O bloco era integrado por 12 membros, tendo como um dos principais promotores o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e tinha como objetivo impulsionar projetos regionais. O organismo, no entanto, entrou em um impasse a partir de 2017, quando não obteve consenso para eleger um novo secretário-geral. Em março, o Equador, que sedia a Unasul, anunciou sua saída do fórum e pediu a devolução do edifício ao governo nacional.