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O ex-chefe de estado teria recebido propinas da empreiteira brasileira Odebrecht e acabou renunciado após o escândalo de corrupção

O ex-presidente do Peru, Pedro Paulo Kuczynski
Reprodução
O ex-presidente do Peru, Pedro Paulo Kuczynski, teria recebido propina da Odebrecht

Um juiz do Peru ordenou que o ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski permaneça dez dias na prisão, por conta de uma investigação sobre lavagem de dinheiro envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht. Policiais aguardavam na porta da sua casa, no distrito financeiro de Lima.

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O empresário e ex-banqueiro, que governou o Peru apenas entre julho de 2016 e março de 2018 — antes de renunciar sob crescente pressão por conta de suspeitas de corrupção —, nega ter cometido irregularidades. Vieram à tona vídeos na época que mostravam suposta compra de votos por Kuczynski para evitar que o Congresso o destituísse por ter anteriormente mentido sobre seus vínculos com a Odebrecht.

A construtora, entretanto, assume ter pagado propinas a políticos na América Latina. Em fevereiro, a empresa assinou um acordo de cooperação com a Procuradoria peruana em São Paulo para ampliar as investigações sobre contribuições ilícitas eleitorais.

Ficou então definido que a Odebrecht teria que pagar cerca de US$ 182 milhões como compensação civil aos peruanos, com base em quatro licitações que venceu mediante o pagamento de subornos a autoridades locais. A empreiteira já admitira em 2016 que havia pagado propinas na casa dos US$ 29 milhões entre 2005 e 2014 no país.

O caso da Odebrecht no Peru até agora espirrou mos presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Alan Garcia (2006-2011), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018). Todos estão sob investigação do Ministério Público peruano. Toledo, que supostamente recebeu US$ 20 milhões da empreiteira pela construção de uma rodovia, vive nos Estados Unidos.

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O escândalo também salpicou nas ex-candidatas Lourdes Flores e Keiko Fujimori, filha do ex-presidente do Peru Alberto Fujimori (1990-2000), em prisão preventiva pelo caso desde 31 de outubro. Negociações semelhantes de cooperação ocorreram também com Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Panamá, Equador e Guatemala.

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