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É a sétima semana seguida de protestos no país, com manifestantes exigindo mudanças mais profundas no sistema político e trocas de comandantes

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Reprodução/Twitter
População voltou às ruas da Argélia pedindo mudanças no sistema político


Centenas de milhares de argelinos voltaram às ruas da Argélia nesta sexta-feira, na sétima semana seguida de protestos que já resultaram na renúncia, na última terça-feira, do presidente Abdelaziz Bouteflika, que estava há 20 anos no poder. Os manifestantes pedem mudanças mais profundas na estrutura política do país, num sistema construído em torno do partido governista da Frente de Libertação Nacional (FLN), oficiais militares, empresários, sindicatos e veteranos da guerra de independência contra a França (1954-1962).

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"Queremos uma nova geração a governar este rico país e assegurar um futuro melhor para o povo", resumiu Yamina, 80 anos, junto com cinco de seus netos em meio à multidão nas ruas da capital da Argélia , Argel.

Os protestos desta sexta mostram como a saída de Bouteflika não foi suficiente para reduzir a tensão no país. Ainda nesta sexta, o chefe da inteligência argelina, o general reformado Athmane Tartag, aliado próximo de Bouteflika, pediu demissão, dizendo estar agindo no interesse da nação.

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Os manifestantes , no entanto, querem a remoção do primeiro-ministro da Argélia Nouredine Bedoui, do presidente do Conselho da Nação, Abdelkader Bensalah, e de Tayeb Belaiz, chefe do Conselho Constitucional, todos vistos como figuras do establishment. Como líder do equivalente argelino ao Senado, Bensalah é quem deverá ocupar interinamente o cargo de presidente pelo prazo de 90 dias, até que novas eleições sejam realizadas.