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Organização não-governamental afirma que 21 pessoas morreram em hospitais no país por conta da falta de energia; saques, dificuldades de locomoção e apodrecimento de alimentos são outras consequências

Apagão na Venezuela já dura quatro dias e população tem sofrido as consequências
Reprodução/Twitter
Apagão na Venezuela já dura quatro dias e população tem sofrido as consequências

Na tarde do dia 7 de março, um enorme apagão atingiu 22 dos 23 estados da Venezuela. Desde então, a energia voltou em algumas regiões, mas é instável e grande parte do país segue sem luz. Entre idas e vindas , mortes, saques e perda de alimentos são algumas das graves consequências da falta de energia elétrica.

De acordo com a organização não-governamental Médicos por la Salud, 21 pessoas morreram em hospitais onde o apagão fez com que geradores parassem de funcionar, impedindo também o funcionamento de equipamentos respiratórios e máquinas de diálise.

Na capital Caracas, 40 pessoas foram presas por saquear comércios durante o apagão. Saques também foram registrados em outros locais. Os moradores relatam que a falta de energia está causando o apodrecimento de comidas que estavam armazenadas nas geladeiras das casas.

No Instituto Médico de Legal de Caracas, câmaras frias pararam de funcionar e os cadáveres entraram em estado de putrefação.

Além disso, o metrô de Caracas não estão funcionando, os ônibus são escassos e as filas por combustível aumentaram no fim de semana. Apenas 100 dos quase dois mil postos de gasolina do país estão funcionando.

Os venezuelanos também têm encontrado dificuldades para usar o celular, pois o sinal está fraco, e para adquirir mantimentos porque, além da crise de desabastecimento que já afeta o país há um tempo, o papel moeda é escasso e muitos lugares não estão aceitando pagamento com cartão de débito em função da falta de luz.

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O governo de Nicolás Maduro decretou a suspensão das aulas e das atividades de trabalho em todo o país.

Ainda não estão claros os motivos da falta de energia. O governo Maduro fala em "sabotagem criminosa e brutal contra o sistema de geração elétrica" na usina de Guri, no estado de Bolívar. Maduro atribuiu as falhas a um ataque cibernético que, segundo ele, só poderia ter sido realizado pelos Estados Unidos."

"Às 19h do mesmo dia se encaminhava o processo de recuperação quando recebemos um ataque cibernético internacional contra o cérebro de nossa empresa de eletricidade que automaticamente derrubou todo o processo de reconexão", disse em pronunciamento. "Foi utilizada uma tecnologia de alto nível que só os Estados Unidos possuem", completou.

O líder opositor Juan Guaidó, por sua vez, afirma que o apagão é resultado de corrupção e falta de manutenção.

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O jornal americano New York Times realizou uma investigação segundo a qual o apagão foi causado porque as turbinas da Hidrelétrica de Guri – responsável por 80% da energia elétrica da Venezuela– deixaram de funcionar. Ainda segundo o New York Times, a subestação responsável por levar energia para quatro em cada cinco venezuelanos, chamada San Gerônimo B, está paralisada. O jornal afirma que a subestação substituta, San Gerônimo A, está funcionando de maneira intermitente, o que explica o envio parcial de energia para alguns estados do país.

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