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Venezuela anunciou fechamento de escolas e suspensão do dia de trabalho, enquanto maioria dos estados do país lidam com apagão; nas redes sociais, Maduro classificou falha elétrica como um "ataque dos inimigos da Pátria"

Com falta de transportes, apagão levou venezuelanos a atravessarem cidade a pé
Reprodução/Twitter
Com falta de transportes, apagão levou venezuelanos a atravessarem cidade a pé

A Venezuela enfrenta, já há mais de 20 horas, um apagão descrito pelo presidente Nicolás Maduro como uma “guerra elétrica” promovida pelos Estados Unidos. Nesta sexta-feira (8), o país anunciou o fechamento de escolas e a suspensão do dia de trabalho devido à falta de energia em Caracas e em outras cidades grandes do país.

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A queda de energia começou na quinta-feira (7) às 16h50 (17h50 no horário de Brasília) e foi causada por falhas na hidrelétrica de Guri, principal represa do país. Segundo a imprensa local, quase todo o país (23 dentre os 24 estados) foi atingido pelo apagão . O estado brasileiro de Roraima também foi afetado, já que o fornecimento elétrico da região provém da hidrelétrica de Guri.

A fim de suprir a falta de energia, as cinco termoelétricas do país estão ativadas desde ontem. Além disso, as aulas e o dia do trabalho foram suspensos para “facilitar os esforços de recuperar o fornecimento de energia elétrica no país”, declarou o vice-presidente Delcy Rodrigues em suas redes sociais.

Voos no aeroporto internacional Simón Bolívar foram cancelados, comércios e o metrô foram fechados, muitos lugares estão sem água e poucos ônibus circulam pelas ruas venezuelanas, que permanecem vazias. O mercado também parou de movimentar, já que os pagamentos com cartão não podiam mais ser realizados e a moeda venezuelana tem baixo valor.

Enquanto isso, o presidente chavista usou sua conta no Twitter para apontar os Estados Unidos como responsáveis pelo apagão. “A guerra elétrica anunciada e dirigida pelo imperialismo americano contra nosso povo será derrotada. Nada nem ninguém poderá vencer o povo de Bolívar e Chávez. Máxima união dos patriotas”, escreveu.

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Maduro ainda usou as redes sociais para agradecer ao trabalho da equipe do Sistema Elétrico Nacional pelo trabalho de recuperação do serviço e agradeceu ao povo venezuelano por resistir com “bravura ao novo ataque dos inimigos da Pátria”.

Da mesma forma concordou o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, que afirmou que o ‘ataque’ foi um “novo fracasso para a direita”. Rodríguez ainda declarou que a ‘guerra elétrica’ seria uma “intenção criminosa de sujeitar o povo da Venezuela a vários dias sem poder para ataca-lo e maltratá-lo”.

A estatal elétrica Corpoelec também apontou que as falhas seriam provenientes de um ataque. “Sabotaram a geração a Guri... Isso faz parte da guerra elétrica contra o Estado. Não permitiremos”, publicou a empresa nas redes sociais.

As declarações ainda dividiram opiniões entre aqueles que concordaram com o presidente e aqueles que lamentaram a decisão tomada por Maduro de fechar as fronteiras do país com o Brasil e a Colômbia e impedir a entrada de alimentos e remédios na Venezuela . Houve ainda panelaços de protestos por causa da situação.

No início da madrugada de hoje, alguns pontos na zona leste da capital voltaram a ter energia elétrica, porém o  apagão continua na maior parte do país. Esse tipo de situação é cada vez mais frequente no país, que enfrenta grave crise sócio-econômica e polarização. Em menos de duas semanas, ocorreram pelo menos três apagões. Mais de três milhões de pessoas já deixaram o país desde o início da crise e, agora, com o novo apagão, o número só aumenta.

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