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Estudo realizado nos 28 Estados-membros da União Europeia aponta que metade dos cidadãos considera que o antissemitismo é um problema

O Ministério Público alemão informou que abriu uma investigação para localizar quem desenhou suásticas nos túmulos
Reprodução/Instagram
O Ministério Público alemão informou que abriu uma investigação para localizar quem desenhou suásticas nos túmulos

Mais de 70 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando seis milhões de judeus foram assassinados, o antissemitismo volta a ganhar força na Europa. Um estudo do Eurobarómetro apontou que metade dos cidadãos europeus considera que o preconceito contra judeus é um problema em seu país.  

Recentemente, vândalos  profanaram um cemitério judaico na Alemanha, pixando suásticas, o símbolo do nazismo, em quase 80 túmulos. Da mesma forma, os manifestantes franceses que ficaram conhecidos como coletes amarelos bradaram xingamentos antissemitas contra o filósofo francês Alain Fienkelkraut. Na Inglaterra, deputados saíram do Partido Trabalhista acusando o presidente do partido, Jeremy Corbyn, de fazer vista grossa ao antissemitismo endêmico.

Exemplos célebres refletem o que vem acontecendo no cotidiano. Uma outra pesquisa, da Agência dos Direitos Fundamentais (FRA, na sigla em inglês), entrevistou judeus de 12 países do continente. No estudo divulgado em dezembro de 2018, milhares relataram já ter sofrido agressões físicas e 28% dizem já terem sido assediados verbalmente por conta de suas origens.

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A pesquisa do Eurobarómetro realizada nos 28 Estados-membros da União Europeia perguntou também aos entrevistados se eles consideram que o antissemitismo está aumentando nos últimos cinco anos, ao que apenas 39% respondeu sim, quando considerada a média de todos os países.

No entanto, onde há maior quantidade de judeus, a porcentagem é muito mais alta: 73% na Suécia, 61% na Alemanha, 55% na Holanda, 51% na França e 50% na Dinamarca. O crescimento do antissemitismo não é de hoje, mas na década passada, os ideais se propagavam sobretudo em países menores. Hoje em dia, seus efeitos atingem nações centrais.

A França, onde vive a maior população judaica da Europa, apresenta um cenário alarmante. O próprio primeiro-ministro, Edouard Philippe, já mencionou um aumento de 69% nos incidentes antissemitas no país. Ao mesmo tempo, 95% dos judeus que moram no país vê o antissemitismo como uma questão muito ampla ou razoavelmente ampla.

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Tanto na França quanto nos outros países, já faz parte da rotina o fato de que sinagogas e escolas judaicas precisam de segurança especial. Para tentar reverter o cenário, o Conselho da União Europeia aprovou, no fim de 2018, uma declaração convocando os Estados-membros que ainda não o fizeram a adotar a definição de antissemitismo da Aliança Internacional de Recordação do Holocausto (IHRA, na sigla em inglês) como instrumento de orientação educacional.

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