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Presidente criticou "comida podre" enviada como ajuda humanitária em cooperação com os EUA e defendeu bloqueios para "garantir a paz" nas fronteiras. "Não temo a ninguém. Se a questão é sair na briga, saio primeiro"

Nicolás Maduro atacou Donald Trump e Juan Guaidó durante pronunciamento em Caracas, na Venezuela
Reprodução/VTV Canal 8
Nicolás Maduro atacou Donald Trump e Juan Guaidó durante pronunciamento em Caracas, na Venezuela

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reafirmou a legitimidade de seu governo, defendeu o  fechamento de suas fronteiras para "garantir a paz" e desafiou seu opositor e autodeclarado presidente encarregado, Juan Guaidó, a convocar eleições suplementares.

Em discurso de mais de uma hora diante de apoiadores na ensolarada tarde deste sábado (23), em Caracas, Nicolás Maduro atacou Guaidó – chamado de "fantoche de Donald Trump", "palhaço" e "mendigo do imperialismo" – e recobrou a lealdade dos militares e do povo venezuelano.

"Estamos em uma batalha pela paz, com independência e com integridade nacional, ante aqueles que querem deixar nosso país de joelhos diante do império americano. Uma das batalhas mais importantes que já aconteceram em 200 anos. Não é tempo de traidores. Não é tempo de traições. É tempo de lealdade com a pátria e aos ideais supremos da Venezuela ", disse.

"E por que estou aqui? Porque vocês são aqueles que decidem o que acontece. Não é Donald Trump , não são os bonecos da oligarquia, como Iván Duque [presidente da Colômbia]. Aqui, quem decide é o soberano, e ninguém mais. Estamos aqui pelo voto do povo. E eu jurei defender a soberania popular e a Constituição com a minha vida, se preciso for."

Maduro lembrou que hoje completa um mês que Juan Guaidó se declarou presidente encarregado do país – ato que foi reconhecido por diveresos países, como EUA e Brasil. A constituição do país prevê o prazo de 30 dias para que interinos convoquem novas eleições majoritárias.

Guaidó, que está na Colômbia, fez pronunciamento hoje cedo,  cercado pela expectativa de que o tema eleição fosse abordado, mas não houve manifestação sobre o tema.

"Até quando vocês vão prejudicar o país? Até quando vão seguir inventando jogos de instabilização? O que vocês conseguiram em 20 anos de conspiração? O que conseguiram em 30 dias de presidente fantoche? Por que não convocaram eleição presidencial se têm o poder, supostamente? As eleições deveriam ser feitas hoje, como manda a Constituição. Ou não?", indagou Maduro.

"A Constituição é taxativa. Onde está a convocação se, supostamente, temos um presidente interino? Estamos esperando que o senhor fantoche, o palhaço de mil caras convoque. Eu o desafio. Vamos ver quem tem os votos e quem ganha as eleições neste país. A vitória nos pertence", complementou.

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Maduro comenta crise na fronteira e ajuda humanitária

Manifestantes montaram barricadas na cidade de Ureña, na fronteira da Venezuela com a Colômbia
Reprodução/TVVenezuela Noticias
Manifestantes montaram barricadas na cidade de Ureña, na fronteira da Venezuela com a Colômbia

O inflamado discurso de Maduro se dá em um dia-chave para a crise venezuelana. Na fronteira do país com a Colômbia, manifestantes  venezuelanos entraram em confronto com a Guarda Nacional Bolivariana enquanto, do outro lado da fronteira, Guaidó lidera comboio de dez caminhões carregados com alimentos e remédios e que pretende passar pelos bloqueios de tropas leais a Maduro.

"Não vamos nos calar. Vamos garantir a paz na fronteira", disse Maduro, que posicionou nesta semana tropas em bloqueios (com barris, cercas e contêineres)  nas fronteiras com o Brasil e com a Colômbia. "Vocês sabem que eu não temo a ninguém e que meu pulso não treme. E se a questão é sair na briga, eu saio primeiro. Não devo nada a ninguém", desafiou.

Ajuda humanitária é "brincadeira de enganar bobo", diz Nicolás Maduro

Insumos enviados pelo governo brasileiro à Venezuela estão estocados em Boa Vista, em Roraima
Divulgação/TV NBR
Insumos enviados pelo governo brasileiro à Venezuela estão estocados em Boa Vista, em Roraima

O presidente criticou o envio de alimentos ofertados em cooperação internacional de países como os Estados Unidos, a Colômbia, o Chile e o Brasil. Maduro disse que a comida oferecida é "cancerígena" e "podre", e que representa estratégia para que haja intervenção militar americana no país.

"Por trás dessa comida podre que chamam de ajuda humanitária, tentam esconder a ameaça do monstro de Donald Trump. Donald anunciou que ele está contemplando uma invasão militar contra a Venezuela. Ajuda humanitária? A quem Donald Trump ajudou em sua vida?", indagou.

"O que ele quer é a imensa riqueza que tem a Venezuela. Quer acabar com a nossa bela revolução do século 21 democrática, livre, constitucional. Essa é a verdade", continuou o chavista, que chamou o envio de alimentos e remédios de "brincadeira de enganar bobo". "Abram os olhos, queridos compatriotas. Estão fazendo operação para invadirem com militares, colonizar nosso país e roubarem nossas riquezas por mais 100 anos." 

O Brasil, que também integra a força-tarefa que oferece alimentos e remédios à Venezuela, foi poupado das críticas mais duras de Maduro – que reservou a maior parte de ataques à Colômbia, chegando a anunciar o rompimento das relações diplomáticas com o país.

"Ao Brasil, o recado: nós estamos dispostos, como sempre estivemos, a comprar todo o arroz, todo açúcar, todo o leite em pó, e toda carne do estado de Roraima. Pagando", disse Nicolás Maduro . "Não somos maus pagadores e nem mendigos. Querem trazer caminhões com leite em pó? Eu compro agora. Querem trazer arroz? Eu compro agora, claro que sim." 

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