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Ernesto Araújo também afirmou que doações não têm caráter intervencionista; o presidente venezuelano Nicolás Maduro resiste à ajuda por medo de uma intervenção externa na política Venezuelana

Ajuda humanitária foi transportada de avião até Boa Vista (RR), de onde partiu em caminhões para a fronteira
Divulgação/TV NBR
Ajuda humanitária foi transportada de avião até Boa Vista (RR), de onde partiu em caminhões para a fronteira

O ministro da Relações Exteriores, Ernesto Araújo, divulgou um vídeo nas redes sociais do Itamaraty no qual afirma que o primeiro caminhão que leva a ajuda humanitária já cruzou a fronteira com a Venezuela. Dois caminhões saíram de Boa Vista, capital de Roraima, na manhã deste sábado (23) em direção a Pacaraima, de onde cruzariam a fronteira.

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Durante a manhã, Ernesto Araújo havia concedido entrevista coletiva na qual fez um apelo para que a Venezuela abrisse a fronteira e possibilitasse o ingresso dos veículos com a ajuda humanitária .

Os caminhões saíram de Boa Vista às 6h50, escoltados pela Polícia Rodoviária Federal. O primeiro deles chegou a Pacaraima às 11h10 e o segundo, que teve um pneu furado no trajeto, chegou à divisa às 12h30.

Os caminhões levam medicamentos para doenças de baixas complexidade e alimentos, em geral arroz (doado pelos Estados Unidos) e leite em pó (doado pelo Brasil). Este primeiro carregamento tem entre 6 e 7 toneladas e seu conteúdo deve suprir as necessidades de até 6 mil pessoas por um mês. No total, 200 toneladas de doações serão transportadas pelo governo brasileiro.

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Em discurso na tarde deste sábado (23), o presidente venezuelano Nicolás Maduro disse que aceitaria ajuda brasileira, mas que faria questão de pagar por ela, pois a Venezuela não é um país miserável.

A oposição marcou para este sábado o dia 'D' para recebimento de doações de outros países, mas esse apoio é rejeitado pelo presidente venezuelano.

Nicolás Maduro fechou as fronteiras com o Brasil e com a Colômbia como uma tentativa de impedir a entrada de ajuda humanitária oferecida pelos EUA e países vizinhos, incluindo o Brasil. Para Maduro, a oferta de ajuda abre espaço para uma interferência externa na política venezuelana, que poderia culminar em um golpe de Estado liderado pelos Estados Unidos.

O chanceler Ernesto Araújo , no entanto, negou a possibilidade de intervenção e disse que a ação do Brasil na ajuda humanitária à Venezuela “é parte da tradição brasileira de cooperar em favor da democracia, em favor do bem-estar de um povo irmão, em favor da solidariedade internacional”.

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Sobre a ajuda humanitária , ele disse ainda que Nicolás Maduro usa o argumento de risco de interferência como “cortina”. Araújo salienta que “o conceito de não interferência não existe para isso. Existe para assegurar a cooperação, a estabilidade internacional e não para permitir que um regime ditatorial mate de fome seu povo”.

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