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Shamima Begum tinha 15 anos quando fugiu da Inglaterra para se juntar ao Estado Islâmico; depois de perder dois filhos, jovem quer voltar para casa

Shamima Begum (no centro) e outras duas amigas fugiram há quatro anos de Londres para se juntar ao Estado Islâmico
Reprodução/London Metropolitan Police
Shamima Begum (no centro) e outras duas amigas fugiram há quatro anos de Londres para se juntar ao Estado Islâmico

Uma jovem britânica de 19 anos que integra ao Estado Islâmico fez um apelo ao Reino Unido para que seja aceita de volta pela Inglaterra para dar à luz ao bebê que carrega há nove meses em sua barriga. Shamima Begum tinha 15 anos quando fugiu de sua casa em Londres, para se juntar ao grupo terrorista, junto com outras duas amigas.

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Em entrevista publicada pelo jornal britânico The Times  nesta quinta-feira (14), a jovem explica que o motivo de querer voltar ao Reino Unido é a preocupação com a saúde do filho. Shamima já perdeu dois filhos nos campos de batalha do Estado Islâmico : a criança mais velha morreu com um ano e nove meses e foi enterrada no mês passado, enquanto a segunda morreu há três meses, por desnutrição.

Mesmo já tendo saído da cidade Al-Baghuz Fawqani, na Síria, onde vivia, a britânica teme que a história se repita com o terceiro filho dentro do campo de refugiados no qual a jovem está abrigada e onde pode dar à luz a qualquer momento.

Shamima fugiu de seu país há quatro anos, junto com Amira Abase, que na época tinha 15 anos, e Kadiza Sultana, com 16, que morreu durante um ataque aéreo em Raqqa, antiga capital do território pertencente ao grupo terrorista. Ao jornal, a britânica relatou que, durante o tempo em que foi membro do Estado Islâmico, ela chegou a ver algumas cabeças decepadas, mas que não se incomodou com o fato e viveu uma vida “normal” em relação às suas expectativas. "Às vezes, há bombas e assim, mas de resto...".

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A jovem ainda tem um longo caminho a percorrer para ser aceita pelo Reino Unido novamente, já que, por ser maior de 18 anos, o governo não é mais responsável pelas escolhas da britânica. Porém, há um detalhe que a jovem pode usar ao seu favor: seus relatos sobre o futuro do Estado islâmico. Segundo Shamima, o grupo extremista é repleto de corrupção e opressão e, por isso, “não merecem a vitória”.

Ao ser questionado sobre o assunto, o ministro da Segurança britânico, Bem Wallace, informou, na manhã desta quinta-feira (14), que não colocará em risco a vida as autoridades britânicas para salvar cidadãos que se juntaram ao Estado Islâmico.

"Apesar de a Grã-Bretanha ter o dever de cuidar dos filhos dos britânicos na Síria , também tem o dever de proteger todos os cidadãos do Reino Unido" disse Wallace à Rádio BBC. O ministro ainda destacou que se a jovem quiser volta ao Reino Unido, ela deve procurar os consulados da Turquia ou do Iraque, já que não há diplomatas britânicos na Síria, devido aos riscos de segurança.

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A preocupação das autoridades do Reino Unido é de que o retorno de Shamima ao país de origem possa atrair extremistas islâmicos e, por isso, tal medida exigiria grande quantia para que a jovem e seu bebê pudessem ser mantidos a salvo do Estado Islâmico .

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