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Ministro das Relações Exteriores também falou que a recente ação da União Europeia na Venezuela "não é útil" e "só vai retardar o fim da ditadura"

Ernesto Araújo acredita que Brasil terá uma boa relação com os EUA
Valter Campanato/ABr
Ernesto Araújo acredita que Brasil terá uma boa relação com os EUA

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, comentou nesta sexta-feira (8) sobre a situação da Venezuela. Segundo o chanceler, a "esquerda mundial" quer manter o presidente venezuelano Nicolás Maduro no poder "para que continue destruindo seu próprio povo, albergando terroristas e organizações criminosas e espalhando as trevas da opressão para toda a América Latina".

"Mas a democracia tem a força moral e com ela triunfará. Seu veículo é o governo legítimo de Juan Guaidó. A consciência e patriotismo dos militares venezuelanos os conduzirá para o lado certo. O regime ditatorial se esfacelará. A esquerda é que terá de engolir", escreveu Ernesto Araújo e m uma sequências de postagens no Twitter.


Na quinta feira (5), em entrevista coletiva concedida em Washington, o ministro afirmou que a iniciativa da União Europeia e de países latinos para resolver a crise na Venezuela "não é útil" e "só vai retardar" o fim da ditadura no país. 

"A exemplo do passado, essa iniciativa não deve prosperar, apenas retardar a ditadura de Maduro e criar dúvidas sobre o processo. Achamos que não é por aí. É pelo reconhecimento pleno do presidente Juan Guaidó”, afirmou Araújo

Ontem, o Grupo Internacional de Contato sobre a Venezuela, que reúne representantes de países da União Europeia e América Latina, anunciou que vai enviar uma "missão técnica" para o país para levar ajuda humanitária e apoiar novas eleições. 

“O caminho é reconhecer o governo de Guaidó como a única autoridade legítima do país, e discutir as condições para a saída de Maduro, que não é mais parte legítima de nenhum diálogo. O Grupo de Contato parte das premissas erradas e não trará resultados esperados", disse o chanceler. 

Quando questionado se temia confronto militar na Venezuela e envio de tropas, o ministro respondeu que não há nenhuma discussão sobre o envio de militares ao país e que a transição será "diplomática e política". 

Araújo também falou sobre a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, e afirmou que a "decisão foi tomada", mas ainda não há data prevista. Para ele, isso é algo positivo para Israel e também para países vizinhos. "É algo que deve contribuir para nossa inserção na região de uma forma pacífica", defendeu. 

O chanceler citou a  visita de Bolsonaro aos Estados Unidos em março e afirmou que um acordo comercial com o Brasil está nos planos. “Será um acordo muito significativo, não necessariamente de livre comércio mas com instrumentos para facilitar o comércio", disse. 

“Em outros momentos, o Brasil não acreditava em si mesmo, então não podia se relacionar com os EUA, temia-se que o relacionamento com os EUA seria de subserviência e alinhamento automático, essa é a diferença da nossa política atual, não temos nada a temer", completou. 

O ministro também se reuniu com o assessor de segurança nacional dos EUA, John Bolton, o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o senador Marco Rúbio, influente no Congresso americano por assuntos relacionados à América Latina. 

Ele ainda se encontrou com a advogada indicada por Guaidó para representar a Venezuela no Brasil, María Tereza Belandria. Ela chega a Brasília na próxima segunda-feira. “A presença dela no Brasil será extremamente útil, ela é uma pessoa que conhece a realidade na Venezuela. Um representante do governo Maduro só nos daria a visão oficial do regime, uma coleção de mentiras e irrealidades que não tem utilidade nenhuma", disse Ernesto Araújo

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