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Com a missão de evitar novo 'shutdown', presidente americano rebateu investigações contra ele, reconheceu o governo interino de Juan Guaidó na Venezuela e anunciou novo encontro com líder norte-coreano, Kim Jong-un

O discuro Estado da União de Trump durou 82 minutos, um dos maiores da história
Reprodução/ Twitter @realDonaldTrump
O discuro Estado da União de Trump durou 82 minutos, um dos maiores da história

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira (5) seu discurso de “Estado da União” no Congresso americano. Trump pediu união entre democratas e republicanos em prol de um bem comum. Ele também insistiu sobre a importância da construção do muro na fronteira com o México.

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"Não vamos governar como dois partidos, mas como uma nação", disse Trump na abertura do discurso Estado da União . Em seguida, para defender a proposta do muro, Trump disse que a criminalidade em El Paso – cidade no Texas que faz fronteira com o México – caiu drasticamente depois que uma cerca foi instalada lá.

A aprovação da verba para construção do muro é um impasse no Congresso e causou a mais longa paralisação do governo. O discurso inclusive, estava previsto para o dia 29 de janeiro, mas foi remarcado pela presidente da Câmara , Nancy Pelosi (da oposição democrata), por causa do ‘shutdown’ – quando a maior parte das atividades do governo fica paralisada.

O ‘shutdown’ teve uma trégua após 35 dias, mas Trump e o Congresso têm apenas mais dez dias para chegar a um acordo sobre o orçamento para segurança na fronteira. Caso a discordância permaneça, um novo "shutdown" deve começar .

O presidente afirmou que as caravanas migratórias são perigosas para os próprios migrantes. "Tolerância com a imigração ilegal não é compaixão, é crueldade", disse, e foi aplaudido pelos republicanos enquanto os democratas permaneceram quietos.

Em um momento controverso, Trump criticou as investigações contra ele, que é suspeito por um suposto conluio com a Rússia que teria afetado as eleições de 2016, na qual se elegeu. De acordo com o presidente, os inquéritos são ridículos e partidários e freiam o crescimento econômico do país. "Se deve haver paz e legislação, não pode haver guerra e investigação", afirmou.

Estados Unidos e a Venezuela

Estados Unidos têm interesse na situação da Venezuela, onde Nicolás Maduro e Juan Guaidó reivindicam presidência
Divulgação/Twitter - @NicolasMaduro
Estados Unidos têm interesse na situação da Venezuela, onde Nicolás Maduro e Juan Guaidó reivindicam presidência

A situação da Venezuela não ficou fora do discurso e Donald Trump . O presidente condenou a brutalidade do governo Maduro e disse que os EUA apoiam a luta pela liberdade do povo venezuelano, reconhecendo Juan Guaidó como presidente interino do país.

"Nós apoiamos o povo venezuelano em sua nobre busca pela liberdade, e condenamos a brutalidade do regime [de Nicolás] Maduro, cujas políticas socialistas fizeram dessa nação, antes a mais rica da América do Sul, um estado de pobreza e desespero", afirmou Trump, aplaudido de pé por quase todos os presentes.

Trump falou ainda que está "alarmado" por tentativas de "adotar o socialismo nos EUA". "Os EUA foram fundados na liberdade e na independência, não na coerção governamental, na dominação e no controle", defendeu ao afirmar que os EUA nunca serão um país socialista.

Coreia do Norte

Outro ponto relevante do discurso do presidente norte-americano foi o anúncio de seu segundo encontro com Kim Jong-un , líder da Coreia do Norte, que deve acontecer ainda nos dias 27 e 28 deste mês, no Vietnã. “[O encontro faz] parte de uma nova e ousada diplomacia, continuamos nosso esforço histórico pela paz na Península Coreana”, explicou.

Trump comemorou os avanços na relação com o regime de Kim. "Nossos reféns voltaram para casa, os testes nucleares foram interrompidos – não houve lançamento de mísseis nos últimos 15 meses". E completou: "Muito trabalho ainda precisa ser feito, mas meu relacionamento com Kim Jong-un é bom”.

Trump reuniu-se com Kim Jong-un pela primeira vez em Cingapura em 12 de junho do ano passado. Os líderes negociaram vários acordos para a melhoria das relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. O encontro aconteceu após um período de hostilidades e ameaças entre os dois chefes de Estado.

As diferenças entre os dois lados, porém, permanecem sobre algumas questões importantes, incluindo a escala da desnuclearização, as sanções norte-americanas e a emissão de uma declaração de fim de guerra.

O Estado da União

O Estado da União é o discurso do presidente que ocorre todos os anos em uma sessão conjunta do Congresso americano. Nele, o chefe de Estado e de governo fala aos parlamentares com o objetivo de prestar esclarecimentos e expor os planos e prioridades do ano.

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, que é oposição ao governo, acompanhou o discurso de perto, sentada atrás do presidente. O vice-presidente da República, Mike Pence, também estava ao lado de Trump. O Congresso norte-americano recém-empossado reúne 131 mulheres, o maior número da história. Trump citou esse fato e foi aplaudido pelas mulheres democratas, que usavam roupas brancas em comemoração aos cem anos do sufrágio feminino.

Tradicionalmente, a oposição faz um breve discurso de resposta ao presidente. Neste ano, ele foi proferido pela deputada democrata Stacey Abrams, que foi derrotada na corrida pelo governo do estado da Geórgia. Ela responsabilizou Trump pela paralisação do governo e afirmou que a esperança de famílias americanas estava sendo esmagada e que o presidente “ignora a vida real ou simplesmente não entende isso. Abrams foi a primeira mulher negra a dar a resposta formal.

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A primeira vez que o Estado da União ocorreu foi em 8 de janeiro de 1790 e foi proferido pelo primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington. Donald Trump falou por 82 minutos.


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