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Mais longa paralisação do governo da história dos Estados Unidos atinge agências, empresários, funcionários e famílias, enquanto presidente americano insiste em verba para construção de muro na fronteira do México

Trump se pronuncia sobre shutdown:
Reprodução/Flickr
Trump se pronuncia sobre shutdown: "sem muro, sem acordo"

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, agem como ‘cão e gato’ no Congresso e nas redes sociais, a mais longa paralisação orçamentária do país, conhecida como ‘shutdown’, chega ao seu 31° dia e atinge patamares ainda não esperados.

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O shutdown , que está em vigor desde o dia 22 de dezembro do ano passado, começou a preocupar, não só os 800 mil funcionários americanos que enfrentam grave crise financeira, como também escolas infantis em todo o país. O receio é de que, caso não haja racionalização, as escolas não possam fornecer comida aos 29,7 milhões de estudantes que participam do Programa Nacional de Almoço Escolar.

Ao menos um distrito escolar já está planejando reduzir o almoço dado às crianças o mínimo: um prato principal, pão, dois legumes, uma fruta e leite. Além disso, o distrito ainda apontou que bebidas engarrafadas (água e suco) só estarão disponíveis depois que o estoque for usado e sorvetes foram retirados do cardápio.

Como não há previsão de que o apagão chegue ao fim, a tendência é de que a racionalização se espalhe pelas escolas, que não são as únicas que colocam em prática o corte de gastos. Há quase um mês, milhares de funcionários norte-americanos estão em casa, parados e sem salários, ou trabalham sem serem pagos e sem expectativas de receber.

A fim de lidar com a falta de salário, muitos deles passaram a pedir subsídio de desemprego, a vender bens pessoais e a pedir a diminuição das taxas de empréstimos nos bancos. O apagão ainda afeta pequenas empresas e companhias privadas, enquanto que tribunais federais estão ficando sem dinheiro.

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Porém, o problema pode ainda virar questão de segurança nacional. No primeiro dia de paralisação, cerca de 25% das agências e departamentos públicos do país foram parcialmente encerrados após não receberem verba para o ano de 2019. O preocupante é que as agências afetadas pelo ‘shutdown’ incluem aquelas necessárias para a manutenção da segurança e da lei federal dos Estados Unidos.

O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), assim como as agências necessárias para que o departamento funcione, foram os mais afetados, já que a paralisação está diretamente relacionada com a proteção das fronteiras. Muitos agentes passaram a faltar aos seus trabalhos como protesto contra a falta de pagamento, o que fragiliza – ainda mais – o país em termos de segurança nacional.

Mas, afinal, por que o orçamento dessas agências e departamentos não foi desbloqueado? A grande barreira para tal ação – em termos literais – é o fato de que Trump só aceitará liberar a verba se o Partido Democrata aprovar no Congresso uma proposta que inclua US$ 5,7 milhões para a construção de um  muro entre os Estados Unidos e o México. Algo que os democratas não estão a favor.

Em discurso  feito em rede nacional no início do mês,  Trump alegou que a barreira é “absolutamente essencial” para impedir que haja uma suposta “crise humanitária” e que não descarta usar de medidas extremas para que a verba para o muro seja conquistada.

No final de semana, o presidente apresentou nova proposta para o fim do shutdown , que não foi aceita por Pelosi. O projeto trouxe à tona, novamente, a questão do muro e essa é uma ‘ferida’ que os democratas não estão dispostos a mexer.

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