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Zerpa afirmou que o presidente venezuelano manipula sistematicamente as decisões do Poder Judiciário local; em sua defesa, Corte descredibiliza o juiz

De acordo com o ex-juiz da Venezuela, Nicolás Maduro e sua esposa controlam o Poder Judiciário no país
Twitter/ @NicolasMaduro
De acordo com o ex-juiz da Venezuela, Nicolás Maduro e sua esposa controlam o Poder Judiciário no país

Um dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, Christian Zerpa, desertou e se mudou para os Estados Unidos. A saída do juiz do território venezuelano é vista como uma fuga e também como um duro golpe ao regime de Nicolás Maduro.

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Afinal, Zerpa saiu do país, nesta semana, justamente para não tomar parte na posse de Maduro, na próxima quinta-feira (10). Neste domingo, porém, um dia após boatos sobre um possível rompimento do juiz com o chavismo, o TSJ anunciou em comunicado que o juiz está sob investigação e, por isso, fugiu da Venezuela para os Estados Unidos. 

Ele é acusado de “assédio sexual, atos lascivos e violência psicológica” contra funcionárias de seu escritório, diz o comunicado. O presidente do STJ, Maikel Moreno, reafirmou a versão e disse que Zerpa deixou o país para tentar escapar do julgamento.

Nos Estados Unidos , o ex-magistrado afirmou que fugiu por discordar da reeleição da Maduro, o que evidencia o isolamento do governo venezuelano após as eleições presidenciais de maio, boicotadas pela vasta maioria da oposição nacional. Para a imprensa internacional, Zerpa disse que as eleições venezuelanas de 2018 "não foram livres".

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Ainda segundo ele, Maduro de manipula sistematicamente as decisões da Suprema Corte. Zerpa afirma que a primeira-dama venezuelana, Cilia Flores, controla o Poder Judiciário do país, e boa parte dos juízes do TSJ vive no complexo militar de Fuerte Tiuna em apartamentos designados pelo governo, algo que “de um jeito ou de outro, condiciona as posturas nos julgamentos e no tribunal”.

De acordo com as agências internacionais, Zerpa conta que, ao ser nomeado juiz, recebeu um telefonema da primeira-dama no qual ela teria lhe dito: “Você sabe o que esperamos de você”.

"Faço um chamado à reflexão dos companheiros que pensam como eu. Não podemos seguir apoiando o que acontece", disse. "Não podemos continuar dando respaldo ao governo de Nicolás Maduro ", afirmou Zerpa, advertindo que “há desespero e desencanto nas bases chavistas”.

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"Para eles (o governo) interessa ter ao lado pessoas que sejam disciplinadas e que acatem suas instruções, e eu, fazendo uma análise da situação com minha família, cheguei à conclusão que não fazia qualquer sentido continuar a apoiar um governo que só trouxe fome, miséria e destruição ao país. O mais sensato seria que Maduro renunciasse", encerrou o ex-juiz da Venezuela

* Com informações da Agência Ansa.

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