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Rahaf Mohammed agora está sob custódia da ONU; ela afirma que fugiu pois sofria ameaças da sua família e não podia estudar e trabalhar em seu país

Rahaf Mohammed fugiu da Arábia Saudita e está na Tailândia, onde seu passaporte foi apreendido
Reprodução/Twitter
Rahaf Mohammed fugiu da Arábia Saudita e está na Tailândia, onde seu passaporte foi apreendido

A jovem saudita Rahaf Mohammed al-Qunun, de 18 anos de idade, fugiu durante viagem com a família, fez uma barricada em um quarto de hotel do aeroporto de Bangcoc, na Tailândia, e se recusa a ser deportada de volta. Ela afirma que não fugiu por ameaças da família e por não poder trabalhar e estudar em seu país. 

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Na manhã desta segunda-feira (7), a jovem saudita retweetou uma informação em sua rede social de que a ONU chegou ao hotel e ela está sendo entrevistada. "Eles deram a sua palavra de que ela permaneceria sob custódia e que ela agora está segura. Isto é o que eles prometeram", escreveu a conta.

Rahaf estava de férias com a família no Kuwait e fugiu, tentando ir para a Austrália para pedir asilo. No entanto, ela afirma que seu passaporte foi apreendido por um diplomata saudita durante a conexão na Tailândia, onde se trancou no quarto de hotel do aeroporto. 

A adolescente conseguiu gravar um vídeo no quarto, denunciando abusos e ameaças que sofria por parte de sua família e relatando seu medo de ser repatriada. Com a barricada, ela impediu que agentes da polícia a deportassem. "Meus irmãos, minha família e a embaixada saudita estarão esperando por mim no Kuwait. Eles vão me matar. Minha vida está em perigo. Minha família ameaça me matar pelas coisas mais triviais", disse. 

As autoridades tailandesas, em um primeiro momento, queriam colocá-la em um avião de volta para o Kuwait, onde está sua família neste momento, mas agora autorizaram que ela permaneça no aeroporto de Bangcoc pelas próximas horas.

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Rahaf deu acesso à sua conta do Twitter para um amigo, que está fazendo postagens sobre a situação da adolescente. "Eu sou Rahaf Mohammed, formalmente buscando um estatuto de refugiada para qualquer país que me protegeria de ser prejudicada ou morta devido a deixar a minha religião e tortura da minha família", escreveu. Ela também afirma que pediu a proteção em alguns países, como Canadá, Estados Unidos, Austrália e Reino Unido. 


A jovem acusa seu país natal de ter confiscado seu passaporte e convencido a Tailândia de impedir sua entrada no país, já que ela é crítica ao governo saudita e denunciou abusos e violações. No entanto, a Tailândia nega que tenha barrado a entrada de Rahaf por ordens da Arábia Saudita.

"As autoridades tailandesas mentiram para mim. Eles me disseram que eu não posso pedir proteção da ONU, mas eles não estão permitindo que a ONU me alcance. Eu acho que eles estão tentando me fazer comer a comida para me drogar e enviar-me de volta para o Kuwait", escreveu.

Organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo a ONG Human Rights Watch, manifestaram sérias preocupações em relação ao bem-estar de Rahaf. De acordo com Phil Robertson, vice-diretor da ONG, a jovem disse que não vai sair até que tenha permissão para se encontrar com a agência de refugiados da ONU e solicitar asilo. 

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Conservadora e religiosa, a Arábia Saudita mantém uma política restrita às mulheres, obrigando-as a terem permissão de um homem da família para trabalhar, estudar, viajar, se casar e até passar por tratamentos médicos.

*Com informações da Agência Ansa

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