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De acordo com Nações Unidas, mais de a metade das vítimas foram mortas por conhecidos, normalmente seus companheiros, ex-maridos ou familiares

Em 2015, foi aprovada a lei que define o feminicídio como o homicídio pelo fato da vítima ser mulher, crime considerado hediondo, com pena de 12 a 30 anos de prisão
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Em 2015, foi aprovada a lei que define o feminicídio como o homicídio pelo fato da vítima ser mulher, crime considerado hediondo, com pena de 12 a 30 anos de prisão

Mais de 87 mil mulheres foram vítimas de feminicídio em todo o mundo no ano de 2017. O número significa que seis mulheres perderam suas vidas a cada hora ao longo de todo o ano passado, conforme apontou relatório publicado neste domingo (25) pela Organização das Nações Unidas (ONU). Cerca de 58% delas foram mortas por seus companheiros, ex-maridos ou familiares, quase sempre homens. 

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“No mundo todo, em países ricos e pobres, em regiões desenvolvidas e em desenvolvimento, um total de 50.000 mulheres são assassinadas todo ano por companheiros atuais ou passados, pais, irmãos, mulheres, irmãs e outros parentes, devido ao seu papel e à sua condição de mulher”, diz o relatório sobre feminicídio da ONU. 

Segundo o documento, o lar é o "lugar mais perigoso para as mulheres" já que a maioria dos casos é cometida por conhecidos da vítima. E é em casa também onde "frequentemente ocorre uma violência de longa duração", situação que pode ser prevenida. A ONU também afirma que as mulheres continuam "pagando o mais alto preço como resultado dos estereótipos de gênero e desigualdade”. 

A África e as Américas são as regiões que mais sofrem com o feminicídio por companheiros ou familiares. No continente africano, o índice é de 3,1 vítimas a cada 100 mil mulheres. Já na América, esse número cai para 1,6. Os índices mais baixos estão na Ásia (0,9) e na Europa (0,7). 

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Para a ONU, uma das soluções para enfrentar o problema é envolver os homens na luta contra o feminicídio e “desenvolver normas culturais que se afastem da masculinidade violenta e dos estereótipos de gênero”.

A organização também considera que, para a prevenção, é necessário investir na educação precoce de meninos e meninas para promover a igualdade de gênero e ajudar a "quebrar os efeitos negativos dos papéis de gêneros esteriotipados". 

Segundo um relatório divulgado pelo Ministério Público de São Paulo em outubro, o número de vítimas no estado praticamente dobrou neste ano, passando de 11 em 2017 para 21 casos em 2018. Em 2015, foi aprovada a lei que define o feminicídio como o homicídio pelo fato da vítima ser mulher – crime considerado hediondo, com pena de 12 a 30 anos de prisão.

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