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Bombeiros conseguiram conter 55% das chamas que atingem o sul e o norte da Califórnia; tragédia é a maior da história do estado norte-americano

Incêndios na Califórnia já duram mais de uma semana e seguem fazendo vítimas
USDA Forest Service
Incêndios na Califórnia já duram mais de uma semana e seguem fazendo vítimas


Dez dias após o início de dois incêndios gigantescos que seguem ativos no norte e no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, já foram contabilizadas 78 mortes e 1.011 pessoas seguem desaparecidas, de acordo com as autoridades locais. Segundo Kory Honea, xerife do condado de Butte, o mais afetado pelas chamas, o número de desaparecidos ainda pode aumentar.

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Butte está localizado no norte do estado e foi batizado de "Camp Fire" ("Acampamento de Fogo", em tradução livre). Por lá, já foram registradas 76 mortes, cinco a mais do que o verificado ontem (17). O incêndio em Butte é o maior da história da Califórnia .

As outras duas mortes aconteceram perto de Los Angeles, no sul do estado, numa região apelidada de "Woolsey Fire". Ainda que trágico, o incêndio em Woolsey Fire é menor do que o ativo em Camp Fire e, por ora, nenhuma pessoa foi dada como desaparecida pelas autoridades. 

Segundo o xerife Honea, a lista de desaparecidos é dinâmica e flutua a cada dia, mas isso não significa que todos estejam mortos. Há também aqueles que fugiram dos incêndios e ainda não sabem que foram dados como desaparecidos; estes podem estar a salvo, mesmo sem contato com amigos e familiares.

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A maior parte das pessoas desaparecidas vive na pequena cidade de Paradise, de 26 mil habitantes, e que foi completamente engolida pelas chamas. Paradise está aos pés da Sierra Nevada, em meio a um clima seco e ensolarado que atraiu muitos aposentados nos últimos 50 anos. A maioria dos desaparecidos é idosa e tem mais de 60 anos.

Os bombeiros conseguiram avançar nos últimos dias e agoram contêm 55% da área afetada pelo fogo. As autoridades alertaram, porém, que as condições climáticas podem agravar os incêndios neste final de semana, uma vez que o tempo deve permanecer muito seco e com ventos fortes, o que pode fazer com que as chamas se proliferem.

De acordo com os cálculos mais recentes, o Camp Fire já destruiu 9.700 edifícios, a maior parte deles em Paradise. Cerca de 59 mil hectares foram devastados pelo fogo nos últimos dias e 40 mil pessoas seguem longe de suas casas, em abrigos e acampamentos.

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Na última quarta-feira (14), o governador da Califórnia, Jerry Brown, e o secretário de Interior americano, Ryan Zinke, visitaram as áreas afetadas pelo Camp Fire e prometeram auxílio estadual e federal para ajudar nas tarefas de recuperação.

Efeitos do incêndio

A fumaça e as cinzas do Camp Fire alcançam a área da Baía de San Francisco (mapa acima), localizada a 280 km de distância do incêndio e onde vivem cerca de 7 milhões de pessoas. Desde a última quinta-feira (15) há um alerta ativo pelas autoridades por causa da má qualidade do ar, cujas partículas suspensas podem irritar pulmões, nariz e olhos.

O Distrito de Gestão de Qualidade do Ar da região classifica a situação de "muito ruim para a saúde" e recomenda aos moradores que evitem sair às ruas na medida do possível e, quando tenham que fazê-lo, que usem máscaras de proteção. A situação deve permanecer assim até a próxima semana, segundo as últimas previsões.

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Diante da tragédia, diversas universidades da área, como a Stanford, a Universidade de San Francisco e a Pepperdine, em Malibu, suspenderam as aulas e permanecerão fechadas durante o resto da semana. As chamas ainda cancelaram algumas partidas de basquete, futebol americano e beisebol que seriam realizadas na Califórnia .


*Com informações das agências Brasil e ANSA

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