Tamanho do texto

Procurador-geral do reino anunciou que 18 pessoas foram presas após investigação apontar "briga corporal" no consulado do país em Istambul; crítico do governo saudita, jornalista estava desaparecido desde o dia 2

Jornalista saudita Jamal Khashoggi escrevia para o jornal The Washington Post e também tinha cidadania americana
Reprodução
Jornalista saudita Jamal Khashoggi escrevia para o jornal The Washington Post e também tinha cidadania americana

A Arábia Saudita confirmou na noite dessa sexta-feira (19) a morte do jornalista Jamal Khashoggi, que estava desaparecido desde o início do mês . A versão do governo, anunciada em comunicado do procurador-geral do reino lido na TV estatal do país, é de que houve "briga corporal" nas dependências do consulado da Arábia Saudita em Istambul, provocando a morte de Jamal.

O procurador da Arábia Saudita informou ainda que as investigações resultaram na prisão de 18 pessoas e também na demissão do vice-chefe de inteligência, Ahmad al-Assiri, e o assessor do príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman, Saud al-Qahtani. 

Os dois são suspeitos de envolvimento com a morte do jornalista e suas demissões abrem caminho para o cumprimento de outra medida determinada pelo rei Salman em face desse caso: a reestruturação do comando da agência geral de inteligência do país. O responsável por orquestrar essa reestruturação, no entanto, será o próprio príncipe  Mohammed Bin Salman .

Leia também: "Queima de arquivo"? Suspeito de executar jornalista saudita morre em acidente

Esta é a primeira vez que o reino saudita admite a morte de Jamal Khashoggi , que era colunista do jornal americano The Washington Post . Ainda nessa sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia mudado o tom e disse que poderia considerar sanções econômicas contra o reino saudita pelo desaparecimento de Khashoggi.

Jamal Khashoggi, de 60 anos de idade, era um jornalista saudita crítico ao regime do seu país, conhecedor de segredos da monarquia e um dissidente. Ele fugiu de seu país em setembro do ano passado e se exilou nos Estados Unidos, mas, no dia 2 de outubro, esteve no consulado saudita em Istambul para renovar seus documentos.

O jornalista nunca saiu do prédio e autoridades acreditam que ele tenha sido esquartejado vivo. No mesmo dia de seu desaparecimento, horas após o jornalista ter entrado no consulado da Arábia Saudita na Turquia, um comboio de seis veículos saiu do edifício diplomático e seguiu para a residência do cônsul, segundo informações da imprensa turca com base em imagens de câmeras de segurança.

Leia também: Último texto de jornalista saudita desaparecido defendia liberdade de imprensa

*Com informações da Ansa e Agência Brasil

    Leia tudo sobre: Donald Trump