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Publicação norte-americana divulgou, hoje cedo, um artigo exclusivo, escrito por Jamal Khashoggi, desaparecido desde o dia 2 de outubro em Istambul

Artigo de Jamal Khashoggi falava sobre liberdade de expressão no mundo árabe; texto veio ao público nesta quinta-feira
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Artigo de Jamal Khashoggi falava sobre liberdade de expressão no mundo árabe; texto veio ao público nesta quinta-feira

O jornal norte-americano The Washington Post  publicou, nesta quinta-feira (18), o último artigo do jornalista saudita Jamal Kashoggi, desaparecido desde o dia 2 de outubro dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia. O artigo de Jamal Kashoggi fala sobre os obstáculos à liberdade de imprensa no país . 

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O título do artigo de Jamal Khashoggi é "O que o mundo árabe mais precisa é de liberdade de expressão", no qual o profissional analisa o relatório anual Freedom in the World , que concluiu que o único país livre no mundo árabe é a Tunísia. A Jordânia, Marrocos e Kuwait aparecem em segundo lugar, classificados como parcialmente livres. Já o resto dos países árabes são considerados com liberdade de imprensa.

Segundo uma reportagem do jornal turco Yeni Safak, publicada na última quarta-feira (17), Jamal foi torturado e decapitado dentro do consulado de seu país, em Istambul, durante um interrogatório. Ele estava desaparecido desde o dia 2 de outubro, quando foi visto entrando no consulado para resolver questões burocráticas em relação ao seu casamento com uma turca. 

Em seu texto, o jornalista saudita relembrou as expectativas por mudanças geradas na Primavera Árabe de 2011 e a quebra delas com o "retorno dessas sociedades ao velho status quo, em condições piores do que antes".

Khashoggi também denunciou prisões, censuras e ataques contra a imprensa em todo o mundo árabe. "Meu querido amigo, o escritor saudita Saleh al-Shehi escreveu uma das colunas mais famosas já publicadas na imprensa saudita. Agora, ele infelizmente está cumprindo uma pena de 5 anos por supostos comentários contrários a instituição saudita." escreveu.

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No artigo, o jornalista escreveu que até mesmo na Tunísia ou no Kuwait, onde a imprensa é considerada parcialmente livre, a mídia costuma noticiar apenas questões domésticas, e não problemas de outros países ou de todo o mundo árabe. "Até o Líbano, a jóia da coroa do mundo árabe quando fala-se em liberdade de imprensa , acabou vítima da polarização e do influência do pró-Irã Hezbollah."

Jamal Khashoggi disse ainda que os árabes precisam de uma versão mais moderna da velha mídia nacional, para que os cidadãos consigam se informar sobre eventos globais. "Sofremos com a pobreza, má administração e educação ruim. Com a criação de um fórum internacional independente, isolado da influência de governos nacionalistas espalhando ódio à propaganda, pessoas normais no mundo árabe poderiam ter acesso aos problemas estruturais que suas sociedades enfrentam". 

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Em nota, o editor do Washington Post escreveu que recebeu, há dias, o artigo de Jamal Khashoggi de seu assistente e tradutor, e que estava esperando para publicar, pois acreditava que ele voltaria para editarem juntos. "Agora eu tenho que aceitar: isso não vai acontecer. Esse artigo captura perfeitamente seu comprometimento e paixão pela liberdade no mundo árabe. Uma liberdade pela qual ele, aparentemente, deu a sua vida."