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Presidente da Venezuela afirmou que emigrantes que foram para o Peru escutaram "cantos de sereia" e encontraram racismo, desprezo e escravidão

Nicolás Maduro afirmou que seu governo enviou um avião a Lima para que 97 venezuelanos voltassem a seu país
Reprodução/Twitter/Nicolás Maduro
Nicolás Maduro afirmou que seu governo enviou um avião a Lima para que 97 venezuelanos voltassem a seu país

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu aos  venezuelanos que deixaram o país que retornem à terra natal e "parem de lavar banheiros" em outros países. A maioria dos que saíram do país tem fugido da grave crise econômica. “Eu digo aos venezuelanos que querem voltar da escravidão econômica: parem de lavar privadas de banheiros no exterior e venham morar em sua pátria”, disse Maduro.

Durante um ato transmitido por televisão e rádio no qual assinou contratos de petróleo, Nicolás Maduro afirmou que os venezuelanos que emigraram para o Peru escutaram "cantos de sereia" e lá encontraram "racismo, desprezo, perseguição econômica e escravidão".

Maduro afirmou que seu governo enviou um avião a Lima para que 97 venezuelanos voltassem a seu país nesta segunda-feira. "Aqui nunca houve campanha xenófoba. Aqui não perseguimos colombianos nas ruas, como fazem as oligarquias colombianas e de Lima", acrescentou. A iniciativa faz parte do "Plano Volta à Pátria", que é patrocinado pelo governo.

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O líder venezuelano atribui o êxodo venezuelano a uma "campanha da direita" e disse ter certeza de que os cidadãos retornarão, porque um plano de medidas econômicas que entrou em vigor há uma semana vai retirar o país da crise atual. "Não é possível que alguns dos venezuelanos que foram lavar privadas no exterior tenham ido como escravos econômicos porque ouviram que é preciso deixar o país", disse o presidente.

Desde 2015, mais de 1,6 milhão de venezuelanos fugiram para países da região, como Colômbia, Equador, Peru e Brasil, gerando a mais grave crise humanitária deste século na América do Sul. A situação já é comparada pelas Nações Unidas à emergência migratória no Mediterrâneo.

Na terça-feira (29), durante um pronunciamento no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer criticou o governo Maduro por não "cuidar do seu povo” e, com isso, criar uma situação “trágica” em todo o continente.

“A onda migratória em Roraima é resultado das péssimas condições de vida a que está submetido o povo venezuelano. É isso que cria essa trágica situação que afeta quase toda a América do Sul. O Brasil respeita a soberania dos estados, mas temos de lembrar que só é soberano um país que respeita e cuida do seu povo”, disse Temer.

O presidente brasileiro afirmou ainda que buscará a solução para a crise na Venezuela em “todos os foros internacionais”: “Por isso é preciso encontrar urgentemente um caminho para mudar essa situação. [A crise] avançou pela fronteira de vários países e ameaça a harmonia de todo o continente”, disse Temer sobre a administração de Nicolás Maduro .

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