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DeeAnn Fitzpatrick entrou com um processo contra o Ministério da Pesca da Escócia depois de ser submetida a uma série de episódios de assédio moral

Após uma série de casos de assédio moral, a canadense resolveu acionar a justiça sobre os episódios que vivenciou
Reprodução/BBC News
Após uma série de casos de assédio moral, a canadense resolveu acionar a justiça sobre os episódios que vivenciou


A canadense DeeAnn Fitzpatrick, funcionária do Ministério da Pesca da Escócia, foi amarrada em uma cadeira por colegas de trabalho após denunciar casos de racismo e discriminação de gênero. De acordo com informações da BBC News , a mulher sofreu com episódios de assédio moral durante anos atuando no escritório da instituição em Scrabster e, agora, decidiu entrar com um processo contra os responsáveis.

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Fitzpatrick explicou que foi amarrada e teve a boca vedada com uma fita adesiva no ano de 2010, depois de denunciar a cultura de “ameaças, misoginia e racismo ” no escritório onde trabalhava. Um dos homens envolvidos no episódio, Reid Anderson, teria dito que “isso é o que você ganha quando fala contra os homens”, mas este não foi o único caso a que ela foi submetida durante dez anos.

Até sua demissão, em novembro de 2016, a canadense foi ridicularizada por ter sofrido um aborto espontâneo, escutou que um dos funcionários “não queria uma mulher, especialmente uma estrangeira” trabalhando no Ministério da Pesca da Escócia, presenciou o uso de expressões racistas e de ameaças contra outras mulheres que trabalhavam no escritório, sendo essas muitas vezes chamadas de prostitutas.

Negligência e ameaças dos funcionários do escritório

A BBC News teve acesso aos e-mails trocados entre a mulher e outros colegas de trabalho, incluindo conversas nas quais ela tentou contar a um dos gerentes sobre ter sido amarrada. O homem não levou as acusações de Fitzpatrick a sério e disse que conversaria com os envolvidos: Anderson e também Jody Paske. “Eu tenho certeza que eles não queriam te machucar, são apenas garotos sendo garotos”, escreveu.

Além disso, outros e-mails mostraram que ela recebeu ameaças por viajar quando seu pai estava doente. “Você é requerida para entrar em contato comigo o mais rápido possível, assim que receber essa mensagem, para explicar as razões de sua ausência. Não fazê-lo poderá resultar em ações disciplinares”, diz o e-mail assinado pelo departamento de recursos humanos do Ministério.

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Acusado pela mulher, Anderson não comentou o caso, por mais que haja informações de que ele continua trabalhando no escritório e de que foi recentemente promovido. Paske, por sua vez, não é mais um funcionário do Ministério  e disse que as alegações são “mentiras”.

“Essas acusações são falsas. Eu não me lembro do evento mencionado, mas se isso aconteceu, teria sido uma brincadeira no escritório. Certamente nada relacionado a algum abuso”, se defendeu. O Ministério foi procurada e disse que “não comenta assuntos relacionados a funcionários internos”.

Apoio da família e políticos

De acordo com as leis do país, Fitzpatrick não é autorizada a dar entrevistas sobre o caso, porém, sua cunhada Sherry disse à imprensa que a fotografia do caso precisa ser divulgada. "Estamos horrorizados. Enjoados. Nos preocupamos sobre como isso pode ter afetado [a canadense]", explicou. "Ela não vai desistir, e agora sua família está junto dela, e não vamos desistir até que alguém seja punido por suas ações".

A mulher também está recebendo o apoio de políticos como Rhoda Grant, que acompanha o caso desde 2010. Ao ver a fotografia pela primeira vez, disse que "isso é horrível, eu estou sem palavras. A parlamentar sabia do corrido, mas ver a foto fez tudo parecer 10 vezes pior".

A escocesa reafirmou que Fitzaptrick sofreu diversos episódios de assédio e que "existe uma cultura naquele escritório na qual as pessoas podem se livrar de qualquer coisa que façam ou falem".

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Grant explicou que a canadense ser amarrada na forma de uma ameaça já era algo inaceitável há oito anos, contudo, com movimentos recentes reivindicando os direitos das mulheres, as pessoas passaram a ser intolerantes com casos de assédio, abuso e  racismo . Não há mais informações sobre o andamento do caso na justiça.

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