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O guia de montanha Benoît Duco, que ajudou a gestante e sua família, agora está sendo acusado de "tráfico de seres humanos" pelo governo da França

O guia de montanha está sendo acusado de ajudar a família da gestante de oito meses a entrar ilegalmente na França
Flickr/Creative Commons
O guia de montanha está sendo acusado de ajudar a família da gestante de oito meses a entrar ilegalmente na França

O guia de montanha Benoît Duco, que trabalha na região dos Alpes Franceses, pode ser condenado a até cinco anos de prisão por ter ajudado uma gestante de oito meses, imigrante nigeriana, que entrou em trabalho de parto, na neve, enquanto saía da Itália em direção à França. O caso aconteceu na região de Monginevro.

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A imigrante , cuja identidade não foi divulgada, estava com seu marido e dois filhos, de dois e quatro anos de idade, quando entrou em trabalho de parto. Duco encontrou a família a quase dois mil metros de altitude, em uma região nevada, e resolveu auxiliá-los: colocou todos em seu carro e queria levá-los até um hospital na cidade de Briançon, a 11 quilômetros de distância, onde a mulher poderia dar à luz de forma tranquila e assistida.

O veículo, porém, foi parado por uma equipe policial, que encaminhou a gestante para o centro médico mais próximo e o guia, por sua vez, teve de acompanhar os agentes até a delegacia. Ele está sendo processado pelo governo francês de “violar as leis imigratórias”, já que teria facilitado a entrada da família de forma ilegal. Agora, ele poderá ficar até cinco anos na prisão pelo crime de tráfico de seres humanos, segundo informou o portal Il Giornale.

A mulher deu à luz em um pronto-socorro das proximidades, ela e o bebê passam bem.

Questão continental

Por mais que o caso tenha acontecido na França, as duras leis imigratórias e a rejeição a imigrantes, principalmente muçulmanos, acontece em toda a Europa. Uma pesquisa feita em dez países mostra que a maioria dos europeus gostaria de restringir a entrada de imigrantes muçulmanos no continente .

Aproximadamente 55% dos cidadãos entrevistados disseram acreditar que a imigração de países majoritariamente muçulmanos deveria parar. O resultado alarmante foi revelado pela enquete do Instituto Real de Relações Internacionais, em fevereiro de 2017.

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 “Os resultados são notáveis e significativos”, escreveu a pesquisa sobre a questão do imigrante. “Eles sugerem que a oposição pública a maiores migrações de países predominantemente muçulmanos não é, de forma alguma, exclusiva aos eleitores de Trump, nos Estados Unidos, mas sim uma ideia relativamente comum”. 

*Com informações da Agência Ansa