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Projeto “sem pagamento, sem jogo” foi criado semana passada e exigia taxa anual de R$ 23 dos pais; petição acusa iniciativa de bullying e discriminação

Escola na Inglaterra separa alunos entre 'pobres e ricos' depois de pedido de pagamento de equipamentos esportivos
Reprodução/Google Street View
Escola na Inglaterra separa alunos entre 'pobres e ricos' depois de pedido de pagamento de equipamentos esportivos

Uma escola  decidiu separar alunos entre 'ricos e pobres', limitando o uso dos equipamentos esportivos da instituição ao pagamento de uma espécie de imposto. O projeto “sem pagamento, sem jogo” foi criado na semana passada na Wednesbury Oak Academy, na Inglaterra, e exigia uma taxa anual de R$ 23 dos pais. A iniciativa gerou grande indignação .

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De início, a taxa podia ser paga pelos pais apenas como uma forma de doação voluntária, para ajudar a escola a comprar novos utensílios esportivos, próprios para as crianças brincarem durante o horário de almoço.

Porém, depois que os responsáveis passaram a não colaborar voluntariamente, a instituição decidiu segregar a turma, o que causou frustração nos pequenos e muita revolta nos familiares.

Segundo o jornal Mirror , o “sem pagamento, sem jogo” foi encerrado depois de o conselho estudantil ter recebido uma petição feita pelos responsáveis. O documento continha mais de 600 assinaturas e pedia o fim do projeto por ser um “impulsionador de bullying  e de discriminação social e financeira”.

Defensores e cortes de gasto

Defensora do movimento, a professora Maria Bull alega estar sofrendo diversas ameaças e que tem considerado chamar a polícia para dar um fim nas 'mensagens de ódio'. "Os pais têm se comportado de uma forma altamente agressiva. Me enviam coisas do tipo ‘você precisa de uma bofetada’ no Facebook. Isso não está certo”, desabafou.

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Para ela, a iniciativa era justa, já que podia ser paga em até oito meses. “A ideia surgiu do conselho de pais, não foi minha. Eu queria ver as crianças brincando em um bom playground. Mas, de 450 alunos, somente 50 pais contribuíram para a melhora”, explica.

Com o dinheiro, o colégio adquiriu uma bola de futebol, uma de rugby, duas cordas e algumas bolas de tênis. As crianças cujos pais pagaram eram levadas para brincar com os itens em um gramado, enquanto as demais ficavam de fora. Entretanto, segundo Bull, uma criança ‘pagadora’ podia escolher um amigo que não deu o dinheiro para usar os equipamentos.

A professora conta que houve também o pedido de ajuda para viagens escolares e clubes de café da manhã. O deputado trabalhista de West Bromwich, Adrian Bailey, expõe que as escolas de Sandwell estão enfrentando uma crise financeira por conta dos cortes de gasto do governo, e que por isso, projetos como esse tem surgido.

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“Sabemos que todas as crianças devem ter igual acesso à educação, o que inclui equipamentos e instalações e que muitos pais não podem contribuir com um dinheiro que deveria sair do orçamento geral da escola. Mas volto a ressaltar que esse é só mais um reflexo da diminuição no financiamento educacional”, concluiu.

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