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Líder do Hamas afirmou que atos mostraram não só o descontentamento dos palestinos, mas o quanto eles estão dispostos a se sacrificar por Jerusalém

Discurso de Donald Trump sobre Jerusalém aumentou a tensão entre os palestinos e israelenses  na faixa de Gaza
Mohammed Salem
Discurso de Donald Trump sobre Jerusalém aumentou a tensão entre os palestinos e israelenses na faixa de Gaza

Pelo menos um palestino morreu, nesta sexta-feira (8), após ser atingido por tiros do exército israelense na faixa de Gaza. Ele participava de um dos diversos protestos organizados pelos muçulmanos em repúdio à decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel .

Mahmud al-Masri, de 30 anos, morreu próximo à barreira de segurança de Israel com a faixa de Gaza . Ele foi o primeiro palestino a ser morto durante as manifestações desta sexta, que ficou conhecida como o "dia de fúria" na região.

Inicialmente, foi comunicado que uma segunda pessoa havia morrido. Mais tarde, porém, o Ministério da Saúde da região da Palestina voltou atrás e informou que a segunda vítima estava em estado grave e que foi levada a um hospital.

O grupo islâmico Hamas, que controla a região, pediu aos palestinos que iniciem uma nova rebelião, as conhecidas intifadas.

Ainda nesta sexta, um representante do Hamas disse que "sonha quem pensa que tudo vai acabar com manifestações".

"Nem Trump, nem ninguém poder mudar a verdade histórica e geográfica e a identidade da Cidade Santa", afirmou o chefe do escritório político do Hamas, Ismail Haniyeh, em Gaza.

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"A Santa intifada de hoje enviou duas mensagens: a primeira, que rejeitamos a decisão do presidente Trump, e a segunda, que estamos prontos para nos sacrificar para defender Jerusalém", acrescentou.

Histórico – e o que Trump tem com isso

Quando da anexação israelense na parte oriental de Jerusalém, em 1980, a Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou a retirada de todas as legações internacionais da Cidade Santa.

Assim, embora Israel considere Jerusalém como a capital, a soberania do país sobre a parte oriental da cidade (Jerusalém Oriental) não é reconhecida por grande parte da comunidade internacional, e os palestinos querem estabelecer a sede do futuro estado.  

Em sua campanha presidencial, porém, Donald Trump prometeu, em 2016, que iria transferir a embaixada norte-americana de Tel-Aviv para Jerusalém, como uma forma de satisfazer a base pró-Israel de direita que o ajudou a conquistar a presidência.

Nesta quarta-feira, Trump reconheceu oficialmente Jerusalém como a capital de Israel. Com isso, a embaixada norte-americana será transferida para a cidade considerada sagrada por cristãos, muçulmanos e judeus.

Como resposta à decisão, um dia depois, primeiros confrontos ocorreram na faixa de Gaza, quando três palestinos foram atingidos por tiros de soldados israelenses. Além disso, um grupo de palestinos desligou as luzes da árvore de Natal de Belém, na noite de quarta, e uma greve geral foi convocada na região.

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* Com informações da Agência Ansa.

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