Confrontos eclodiram após o republicano reconhecer a cidade como a capital de Israel; Estado Islâmico promete "cortar cabeças" em defesa de Jerusalém

Discurso de Donald Trump sobre Jerusalém aumentou a tensão entre os palestinos e israelenses
Mohammed Salem
Discurso de Donald Trump sobre Jerusalém aumentou a tensão entre os palestinos e israelenses

A violência tomou conta da cidade e dos arredores de Jerusalém, nesta quinta-feira (6), um dia após a histórica e polêmica decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , de reconhecê-la como a capital de Israel.

É como se o Hamas estivesse correto, nesta quarta-feira (5), quando anunciou que a decisão de Donald Trump  abriria "as portas do inferno" na região . Afinal, cerca de 24 horas após o anúncio do republicano, já foram registrados mais de 100 feridos em Jerusalém, na Cisjordânia e em Gaza – onde sirenes antimísseis foram acionadas, após explosões. 

Além disso, de acordo com a imprensa local, durante a manhã e a tarde desta quinta, a Cruz Vermelha palestina registrou mais de 60 pessoas feridas em confrontos na Cisjordânia. Foram 12 ferimentos com armas de fogo, 13 com balas de borracha e ao menos 32 intoxicações com gás lacrimogêneo.

Confrontos 

O mau-estar gerado pela decisão de Trump foi reconhecido em discurso, ainda ontem, até pelo próprio republicano. “Claro que vai haver desacordo e dissidências relativas a este anúncio, mas estamos confiantes, enquanto trabalhamos nesses desacordos, de que vamos chegar a um lugar de entendimento e cooperação”, afirmou.

Para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, a decisão de Trump “equivale a uma renúncia da parte dos Estados Unidos ao papel de mediador da paz".

Os primeiros confrontos ocorreram na Faixa de Gaza, quando três palestinos que protestavam contra a decisão foram atingidos por tiros de soldados israelenses. Em repúdio, um grupo de palestinos desligou as luzes da árvore de Natal de Belém, na noite de ontem, e uma greve geral foi convocada na região.

A polêmica se dá porque Jerusalém é uma cidade sagrada para várias religiões. Por esse motivo, as Nações Unidas e a diplomacia mundial apoiam que o local tenha um "status" internacional, apesar de israelenses e palestinos reivindicarem a posse do município.

Terrorismo

Além do despertar do confronto entre israelenses e palestinos, a decisão de Trump gerou uma série de ameaças terroristas contra os Estados Unidos. 

A instalação da embaixada norte-americana em Jerusalém também foi responsável pela convocação de uma nova intifada "contra a ocupação e o inimigo sionista" pelo movimento Hamas – que até este ano atuava no governo da Faixa de Gaza. 

Nas redes sociais, seguidores do Estado Islâmico e da Al-Qaeda fizeram ameaças de atentados. "Cortaremos a cabeça de vocês e liberaremos Jerusalém", dizia uma das mensagens, publicada em árabe, hebraico e inglês.

Comunidade internacional condena decisão

Quase por unanimidade, a comunidade internacional se opôs a decisão de Trump, alegando que ela prejudica as negociações de paz que preveem a solução de dois Estados. O primeiro-ministro da Bélgica, Charles Michel, comentou que "condena" o gesto do republicano, enquanto o premier tunisiano, Youssef Chahed, definiu a atitude de Trump como "um duro golpe" aos palestinos.

A Rússia, que atua em operações militares no Oriente Médio, comentou que a mudança da embaixada "desata preocupações". "Acreditamos que essa escolha não ajude o processo de paz. Na realidade, como podemos ver, está provocando uma divisão na comunidade internacional", afirmou o porta-voz do Cremlin, Dmitry Peskov.

Além disso, o Reino unido e a União Europeia seguiram a mesma posição, ressaltando ser favorável à criação de dois Estados na região.

Leia também: Conselho da ONU se reúne após anúncio de Trump sobre Jerusalém

Até mesmo os países árabes, como os adversários Irã e Arábia Saudita, uniram-se contra a decisão de Donald Trump. Paquistão, Qatar, Iraque e outras nações também demonstraram descontentamento.

* Com informações da Agência Ansa.

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