Presidente dos Estados Unidos reconheceu a cidade como capital de Israel; grupo fundamentalista está organizando diversas manifestações em Gaza

Donald Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel nesta quarta-feira, em pronunciamento
Reprodução/CNN
Donald Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel nesta quarta-feira, em pronunciamento

Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhecer oficialmente Jerusalém como a capital de Israel , o grupo fundamentalista Hamas afirmou que o magnata "abriu as portas do inferno". Em Gaza, onde o movimento é mais influente, estão em curso diversas manifestações contra a decisão.

Para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, a decisão de Donald Trump “equivale a uma renúncia da parte dos Estados Unidos ao papel de mediador da paz".

Além disso, Abbas ressaltou que Jerusalém é a "capital eterna do Estado da Palestina". "A decisão de Trump ajudará as organizações extremistas a promoverem uma guerra religiosa que prejudicará toda a região, que já atravessa um momento crítico, e nos levará a uma guerra sem fim", acrescentou.

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Nesta quarta-feira (6), o presidente dos Estados Unidos fez um discurso público para anunciar sua decisão sobre Jerusalém. Com isso, a embaixada norte-americana será transferida de Tel-Aviv para a cidade, considerada sagrada por cristãos, muçulmanos e judeus.

"Meu anúncio marca o começo de uma nova abordagem no conflito entre Israel e palestinos", afirmou  Trump, no início de seu discurso feito na Casa Branca. "Hoje reconhecemos o óbvio", continuou. 

Com a decisão, os Estados Unidos  passam a ser o único país do mundo a reconhecer Jerusalém como capital israelense, além de ser a única embaixada internacional na cidade. A ação de Trump é encarada como uma ‘provocação’ contra os palestinos, devido às questões de fé que envolvem a cidade. 

O mau-estar gerado pela sua decisão foi reconhecido inclusive pelo norte-americano. “Claro que vai haver desacordo e dissidências relativas a este anúncio, mas estamos confiantes, enquanto trabalhamos nesses desacordos, de que vamos chegar a um lugar de entendimento e cooperação”, afirmou.

Trump garantiu também já ter falado com os líderes políticos e religiosos da região para que estes se juntem ao que ele chama de “uma nova abordagem” ao conflito.

A mudança e suas consequências

De acordo com as fontes internas, a Casa Branca considera a decisão sobre Israel como um “reconhecimento de uma realidade histórica”, uma vez que Jerusalém foi a capital do Estado judeu desde a antiguidade, além de ser a sede do governo israelense desde a fundação moderna, em 1948. Para a base aliada, este é o momento certo para realizar a mudança , “especialmente no que diz respeito à esperança de conseguir um acordo de paz”.

Para o governo norte-americano, a localização física da embaixada não seria um empecilho às conquistas de paz. Segundo a fonte anônima, o que Trump anuncia é “uma mudança para uma política de ambiguidade (sobre onde a embaixada dos EUA deveria ser), que não funcionou nos últimos 22 anos”.

Isso porque o Congresso do país aprovou, em 1995, uma lei para iniciar a transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Até hoje, nenhum presidente implementou a mudança. 

Contudo, os palestinos já sinalizaram que a medida pode gerar “graves repercussões”, estancando as negociações de paz na região. De acordo com especialistas entrevistadas pela rede de TV americana CNN, a ação tem bastante potencial para consequências negativas no Oriente Médio, podendo causar mais violência contra americanos e dificuldades aos interesses do país na região.

Além disso, alguns líderes internacionais já reagiram de forma negativa. Na Arábia Saudita, foi anunciado que a decisão "unilateral" é uma "provocação a todos os países muçulmanos". O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, chegou a ameaçar romper suas relações com Israel. Entre outras manifestações contrárias, esperam-se reações bastante complicadas em todo o  Oriente Médio .

Histórico

Quando da anexação israelense na parte oriental de Jerusalém, em 1980, a Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou a retirada de todas as legações internacionais da Cidade Santa.

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Assim, embora Israel considere Jerusalém como a capital, a soberania do país sobre a parte oriental da cidade (Jerusalém Oriental) não é reconhecida por grande parte da comunidade internacional, e os palestinos querem estabelecer a sede do futuro estado. 

Em sua campanha presidencial, Donald Trump prometeu, em 2016, que iria transferir a embaixada para Jerusalém, como uma forma de satisfazer a base pró-Israel de direita que o ajudou a conquistar a presidência.

* Com informações da Ansa

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