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Um cartaz com a foto do magistrado também foi incendiado em outra localização da cidade de Palermo, mas não se sabe se eventos estão ligados

Tido como modelo pelo juiz federal brasileiro Sérgio Moro, Falcone é um dos maiores símbolos da luta contra a máfia
Reprodução/Italian Insider
Tido como modelo pelo juiz federal brasileiro Sérgio Moro, Falcone é um dos maiores símbolos da luta contra a máfia

Uma estátua de Giovanni Falcone , o juiz reconhecido como "inimigo da máfia italiana” assassinado em 1992, foi destruída nesta segunda-feira (10) por vândalos na cidade de Palermo, capital da Sicília, gerando revolta. O busto do magistrado permanecia na entrada da escola Falcone-Borsellino e foi encontrada “decapitada”, depois de ter sido atirada contra um portão de vidro no local.

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Tido como modelo pelo juiz federal brasileiro Sérgio Moro, Falcone é um dos maiores símbolos da luta contra a máfia italiana e conduziu processos contra a cúpula da Cosa Nostra, cuja base fica na Sicília. No país, ele também é admirado por muitas pessoas e, por isso, o ataque gerou bastante revolta.

“Estou muito chateada pelo que aconteceu. Não estava na escola e cheguei até aqui para ficar a par da situação. É uma cena que me aborrece”, afirmou a diretora da escola Giovanni Falcone dello Zen, Daniela Lo Verde. “Por algum tempo, nós não sofremos ataques de vandalismo, então me sinto desencorajada”, completou ao site “Italian Insider”.

Além do ataque contra a estátua de Giovanni Falcone, que aconteceu no período da manhã, um cartaz com a foto do magistrado foi incendiada em outro local durante a tarde desta segunda-feira (10). O banner teria sido feito por alunos do colégio Alcide De Gaspare, sendo colocado ao lado de outras imagens na entrada da instituição de ensino.

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Ainda não se sabe se os dois fatos estão relacionados.

O prefeito da cidade de Palermo Leoluca Orlando comentou os incidentes desta segunda. “Esses comportamentos confirmam que ainda há muito para se fazer, e que estamos frente a um fenômeno que demonstra o nervosismo de ambientes arrogantes e mafiosos que não se entregam à inevitável derrota”, declarou.

Esta não foi a primeira vez que o busto de Falcone foi danificado. Em 2012, o nariz da estátua foi quebrado, e o restante foi pichado. Os vândalos, na época, também entraram na escola e destruíram mesas, cadeiras e armários.

Em 1992, o carro de Giovanni Falcone foi atingido por explosivos enquanto passava pela estrada A29, em Capaci, nos arredores de Palermo. O atentado matou o magistrado e mais quatro pessoas, incluindo sua esposa, Francesca Morvillo, e três agentes de sua escolta: Vito Schifani, Rocco Dicillo e Antonio Montinaro.

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O mandante do ataque ao juiz foi identificado como sendo o ex-chefe da máfia Salvatore "Totò" Riina, que cumpre 19 penas de prisão perpétua e, aos 86 anos, tenta obter a liberdade condicional por causa de seu deteriorado estado de saúde.  

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