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Em uma nota pública divulgada nesta segunda (26), o governo de Trump disse que o regime sírio "pagaria preço alto" caso realizasse novos ataques contra civis, utilizando armas químicas; atividades em base aérea foram detectadas

Abdul Hamid Alyoussef segura seus gêmeos mortos no ataque a Khan Sheikoun, em abril
Reprodução/Twitter
Abdul Hamid Alyoussef segura seus gêmeos mortos no ataque a Khan Sheikoun, em abril

O governo da Síria recebeu um alerta dos Estados Unidos de que “poderá pagar um preço muito alto” caso utilize de armas químicas contra os civis do país, novamente. Isso porque foram detectados movimentos em uma base aérea síria que indica que um ataque semelhante ao ocorrido em abril estaria sendo preparado.

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Repórteres que acompanham o secretário de defesa dos Estados Unidos, James Mattis, em uma viagem à Alemanha, foram informados de que o Pentágono estava preparado para agir depois que foram detectadas as atividades na base de Shayrat, na Síria , semelhantes àquelas precedentes ao ataque de gás de abril, em Khan Sheikhoun, que matou pelo menos 80 pessoas.

O porta-voz do Pentágono Jeff Davis afirmou que “foram iniciadas atividades na base nos últimos dois dias”. “Isso envolveu aeronaves específicas em um hangar específico, que sabemos estar associado ao uso de armas químicas ", disse ele à agência de notícias Reuters.

Uma nota oficial foi divulgada pela Casa Branca na noite desta segunda-feira (26). “Os Estados Unidos identificaram preparações potenciais para outro ataque com armas químicas a mando do regime de Assad, que poderia resultar em assassinato em massa de civis, incluindo crianças inocentes”.

“As atividades [detectadas] são similares àquelas que o regime fez antes de 4 de abril deste ano. Como já dissemos anteriormente, os Estados Unidos estão na Síria para eliminar o Estado islâmico do Iraque e da Síria. Se, no entanto, o Assad conduzir outro ataque usando armas químicas, ele e seus militares pagarão um preço pesado”, diz a nota.

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O aviso público incomum da noite de ontem pareceu ter a intenção de dissuadir o regime sírio de repetir o uso desse tipo de arma contra cidades sírias e cidades rebeldes. Também serve como uma forma de pressão a Moscou e Teerã, que apoiam Bashar al-Assad, negando a responsabilidade do regime no ataque com gás.

Estados Unidos reagiram após ataque com armas químicas realizado no dia 4 de abril, contra civis sírios
Reprodução/Twitter
Estados Unidos reagiram após ataque com armas químicas realizado no dia 4 de abril, contra civis sírios

Embora o foco da atividade militar norte-americana na região seja combater o grupo terrorista Estado Islâmico, tanto em Mosul, no Iraque, quanto em Raqqa, na Síria, a administração Trump já demonstrou que pode agir se o regime de Assad realizar um ataque com arma química.

EUA x Rússia

O secretário de defesa do Reino Unido, Michael Fallon, disse que os EUA não compartilharam nenhuma evidência de uma ameaça específica de ser realizado um ataque de armas químicas no país.

Ainda segundo Fallon, o Reino Unido apoiaria qualquer ataque dos EUA contra Assad, desde que fosse proporcional, legal e necessário.

“A Casa Branca deve ter uma sólida inteligência sobre um possível ataque com sarin. Mas, o motivo por que escolheram enviar uma mensagem para Assad e Putin por meio de comunicado de imprensa não ficou claro”, disse Daryl Kimball, chefe da Associação de Controle de Armas dos Estados Unidos, pelo Twitter.

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Kimball ainda disse que o risco de entrar em conflito com as forças russas, no caso de outro ataque punitivo dos EUA, é maior agora do que em abril. As forças dos Estados Unidos na Síria também foram habilitadas a se defenderem e seus aliados contra ataques, o que levou a uma série de confrontos recentes com forças pró-regime que competem pelo mesmo território.

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