Combate ao fogo na segunda-feira no Pantanal mato-grossense, km100 da Transpantaneira
Assessoria CBMMT
Combate ao fogo na segunda-feira no Pantanal mato-grossense, km100 da Transpantaneira

Nesta terça-feira, equipes do Corpo de Bombeiro Militar de Mato Grosso (CBMMT) continuam mobilizadas para conter o incêndio no km 100 da Rodovia Transpantaneira, que liga os municípios de Porto Jofre e Poconé. A ocorrência foi iniciada na tarde de sexta-feira e continua em andamento. O fogo também segue ativo e sendo combatido no km 60 da rodovia.

O combate foi fortalecido na segunda-feira com duas aeronaves modelo Air Tractor, contratadas pela Secretaria Adjunta de Defesa e Proteção Civil com recursos do governo do estado. Também foram requisitadas mais duas aeronaves do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), com previsão de chegada nesta terça-feira.

"A extensão da área queimada evoluiu pouco em relação ao dia anterior, sendo aproximadamente 7.600 hectares (desde sexta-feira) de vegetação seca consumida pelo fogo", informou o CBMMT, em nota.

Em 2021, período de janeiro a agosto, o fogo consumiu 700 mil hectares do Pantanal . Já no mesmo período em 2020, foram 1,6 milhão de hectares, segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da UFRJ.

Chuvas nas regiões próximas ao Pantanal mato-grossense contribuíram para aumentar a umidade do ar e com isso a propagação do fogo não foi tão rápida quanto costuma ser, de acordo com a assessoria do Corpo de Bombeiros.

Jenifer Larrea, presidente da associação É o Bicho MT, que atua na proteção de animais, esteve no domingo na região no entorno da Transpantaneira atingida pelos incêndios e conta que a equipe encontrou cobras mortas.

"O fogo não está se espalhando tão rapidamente, teve uma leve garoa no domingo que ajudou, então acreditamos que os mais afetados agora são os animais rasteiros. Mas, infelizmente, ontem à noite recebemos informações de que havia também duas antas feridas", conta.

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A associação está preparando a logística para atuar junto com outras organizações e enviar equipes a campo para realizar o resgate de animais, se necessário.

"Para nós é muito preocupante, porque é a mesma área que queimou no ano passado. A queima uma vez ao ano é muito prejudicial para a fauna e a flora. É uma área que estava se regenerando muito lentamente e agora de novo vem o fogo. Acredito que os impactos serão ainda maiores", afirma Larrea.

Há suspeita de que o incêndio na área do km 100 da rodovia tenha começado por uma ação criminosa, informou o CBMMT. O indício é que os focos iniciais tinham distâncias equivalentes entre um e outro, explicam, e a suspeita é reforçada pela existência de outro incêndio na Ponte 70, de madeira, "que foi rapidamente apagado por outra equipe". Ainda será necessário realizar uma perícia.

Combate aos incêndios

A ação de combate aos incêndios inclui bombeiros militares e civis, brigadistas do SOS Pantanal e soma ainda os esforços de pantaneiros. Também está integrada a Secretaria estadual de Meio Ambiente (Sema-MT) e são usados caminhões-pipa enviados pela empresa Águas Cuiabá.

"O combate aos incêndios nesta região é extremamente difícil, com poucos acessos pela estrada, além do enorme volume de vegetação seca em uma área com muitos brejos", informou o CBMMT, em nota, acrescentando que o vento forte também dificulta o trabalho.

Sete caminhonetes transportam os militares até os locais onde é possível acessar de carro e um quadriciclo está sendo usado para levá-los nos pontos mais isolados. A Sema-MT enviou maquinários como tratores, pá carregadeira e esteiras para auxiliar o trabalho.

Uma pista de pouso foi improvisada próximo ao local dos incêndios, informou o Corpo de Bombeiros. A água utilizada para encher as aeronaves vem do Rio Pixaim e desde o início do combate já foram realizadas mais de 10 horas de voo com 35 lançamentos, nos quais cerca de 63 mil litros de água foram jogados "nos locais estratégicos para diminuir a velocidade das chamas que se espalham".

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