Debate Globo Minas
Reprodução: TV Globo
Debate Globo Minas

O primeiro debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais foi marcado por um confronto entre Patrus Ananias (PT) e o governador Mateus Simões (PSD) logo no primeiro bloco. Ao ser questionado pelo petista sobre turismo e cultura, Simões criticou a atuação do PT no Estado e afirmou que o partido fez um “estrago” nas duas áreas. Patrus tentou responder, mas ficou sem tempo.

Foram convidados candidatos de partidos com representação no Congresso Nacional, entre eles:

Alexandre Kalil (PDT);

Cleitinho Azevedo (Republicanos);

Flávio Roscoe (PL);

Gabriel (MDB);

Mateus Simões (PSD);

Patrus Ananias (PT)

A Globo dividiu a atração em quatro blocos, na seguinte ordem:  tema determinado, tema livre, sorteio de região, tema livre e  tema livre e considerações finais. 

Veja abaixo os principais destaques de cada bloco. 

Cabine de votação
Agência Brasil
Cabine de votação



Primeiro bloco

Flávio Roscoe foi o primeiro a perguntar, e foi para Patrus Ananias. Roscoe quis saber como o petista pretende agir para aliviar a dívida do Estado, tema sorteado, fazendo referência ao também petista Fernando Pimentel, ex-governador mineiro. Roscoe afirmou que foi Pimentel o responsável pelo aumento do valor devido por Minas. 

Patrus salientou que se o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), for reeleito e ele, Patrus, ganhar o governo de Minas, vai ser feito um acerto para prorrogar o pagamento da dívida, mas garantiu que vai quitar, porem, priorizando o que ele chama de ''dívida social'' que existiria em Minas.  

Roscoe rebateu. Alegou que Patrus não respondeu a pergunta, mas foi contestado em seguida pelo petista, que disse ter afirmado que vai trabalhar para pagar o valor. Roscoe, no entanto, alegou que o caminho para resolver o problema não são incentivos fiscais, como apontou o petista. Segundo Roscoe, ''incentivos fiscais têm prazos determinados''. 

Em sua vez de perguntar, Patrus escolheu Mateus Simões, governador de Minas. O tema sorteado foi turismo e cultura.

Para Simões, o  petista não deixou claro o que pretendia saber. O governador, então, foi pra ofensiva dizendo que o partido do ex-prefeito da capital mineira fez um ''estrago na cultura e no turismo'' no Estado. E perguntou se Patrus não vai levar verba para o interior de Minas, o que, segundo Simões, foi o que o governo petista deixou de fazer quando esteve na administração estadual.

Patrus tentou responder, mas não teve mais tempo, pelas regras do debate.

Em sua vez de perguntar, Simões escolheu Cleitinho para responder sobre o tema sorteado: feminicídio. Segundo Simões, enquanto senador, Cleitinho não enviou verba suficiente para a segurança em Minas.

Cleitinho retrucou afirmando que ''ninguém da segurança pública'' vai votar em Simões, e rebateu a afirmacao de que não enviou verba para Minas. Simões ressaltou que Cleitinho enviou recurso principalmente para Divinópolis, onde o senador tem sua base eleitoral. O senador defendeu sua atuação a favor da cidade,  e também alegou que as emendas podem ser investigadas.

Cleitinho fez sua primeira pergunta para Gabriel, a quem chamou de ''amigo'', e o tema foi reajuste de serivdores. O senador quis saber qual a proposta do ex-vereador de BH para o tema.

O candidato não deu detalhes do que pretende fazer, mas logo perguntou a Cleitinho se o senador já teve contato com servidores, no sentido de saber lidar com uma folha de pagamento de um Estado com Minas, de 700 mil pessoas. Cleitinho afirmou que vai ter uma ''equipe técnica'' para cuidar do problema e prometeu aumento para todas as categorias.

Gabriel, então, falou de propostas, entre elas, ''critério para promoção'' de serivdores e planejamento financeiro, momento em que criticou o governo petista de Fernando Pimentel. 

O tema seguinte sorteado foram as facções criminosas, e Gabriel questionou Alexandre Kalil sobre como ele vai bloquear os celulares nos presídios. O ex-prefeito da capital disse que esse não é o problema principal mas, sim, as condições de trabalho dos policias. 

Gabriel foi contrário aos argumentos de Kalil, e afirmou que vai bloquear os sinais de celulares nos presídios de Minas.

Kalil perguntou para Roscoe sobre o tema sortedo em seguida, o  transporte na região metropolitana. Quis saber como o candidato vai melhorar o serviço, considerando que, segundo o ex-prefeito, existe verba para isso. Roscoe afirmou que vai fazer a integração entre as modalidades para evitar, por exemplo, que o serviço depois de 23h não seja interrompido

Kalil disse que o principal desafio é reduzir o subsídio para as empresas

Siderurgia do Vale do Aço, em Minas Gerais
Reprodução
Siderurgia do Vale do Aço, em Minas Gerais



Segundo bloco

Com temas livres e sorteio ao vivo dos candidatos, o segundo bloco teve início com Gabriel perguntando a Patrus sobre o motivo do petista ter acionado a Justiça sobre a chamada Escola Plural. Patrus salientou que esse modelo não está em seu plano de governo, e garantiu que vai priorizar a Educação. 

Gabriel rebateu ao afirmar que Patrus foi ao sindicato dos professores para falar sobre a retomada da Escola Plural que, segundo Gabriel, quando Patrus era prefeito da capital, aprovava estudantes sem que eles soubessem escrever direito.

Patrus afirmou que não prestaria contas sobre o que fez na prefeitura de Belo Horizonte, e que pretende implementar o modelo de escola integral no Estado. Gabriel alegou que o PT tem rejeição em Minas Gerais. . 

O petista foi o próximo a perguntar, e se dirigiu a Cleitinho, querendo saber sobre propostas para o desenvolvimento econômico e social das regiões mineiras.

Cleitinho não respondeu e reclamou de uma crítica que, segundo ele, Patrus fez em uma entrevista sobre o senador, que, então, perguntou ao ex-minsitro como agiu o governo de Fernando Pimentel no tema levantado pelo petista.

Patrus não falou sobre o tema e disse ter um projeto para cada região mineira. Cleitinho afirmou que viajou pelo Estado e sabe do que as pessoas precisam. 

Cleitinho, então, escolheu perguntar para Roscoe o motivo do presidente licenciado da Federação das Industrias de Minas Gerais (Fiemg) afirmar que o senador não seria um político de direita. Roscoe respondeu dizendo que, pelas posições do senador, quando os dois conversaram sobre política, ele entendeu que o senador não tem alinhamento com a direita. 

Em seguida, Cleitinho perguntou o motivo de Roscoe o criticar por querer reduzir o IPVA. Roscoe afirmou que criticou o fato de Cleitinho não apresentar uma ''solução'', já que, segundo ele, para reduzir o imposto é necessário ter um recurso para substituir. Cleitinho afirmou que conseguiria resolver o problema cortando isenções fiscais no Estado. 

Roscoe fez a próxima pergunta, e escolheu o candidato Kalil, querendo saber o que ele vai fazer para atender as demandas sociais com a atual dívida de MInas. E criticou a gestão de Kalil na prefeitura da capital por ter deixado dívidas, segundo ele.

Kalil defendeu o trabalho como prefeito, dizendo que durante a pandemia esteve perto das pessoas pobres, e insinuou que Roscoe estava fora do país, e critiocu a atuação de Roscoe na Fiemg. O candidato, por sua vez, defendeu o trabalho na entidade.

Kalil, em seguida, perguntou a Simões sobre a construção de hospitais regionais pelo Estado. Segundo Kalil, um deles não foi entregue. 

Simões respondeu dizendo que Kalil está mal informado pois, segundo ele, o hospital foi inaugurado no dia anterior ao debate.  Simões perguntou para Kalil o que ele acha de sonegação de imposto, apontando que Cleitinho teria cometido o crime, sem dar detalhes. 

Kalil disse que não falaria sobre o assunto e afirmou que o problema dos hospitais regionais não foi resolvido pois, na opinião dele, colocar ''parede de pé'' não resolve o problema. E disse que o governo precisa cuidar de ''gente''.. Simões rebateu dizendo que o atendimento em saúde em Minas tem melhorado.

O governador fez sua próxima pergunta para Gabriel, e escolheu o tema educação, elogiando o trabalho que desenvolveu como chefe do Executivo. Simões quis saber das propostas de Gabriel. O ex-vereador e ex-secretário estadual disse que quer reverter um ''dado negativo'' do governo de Simões, no ensino integral, segundo ele. 

Simões contestou os números e disse que houve aumento da modalidade. 

Terceiro bloco

Na abertura do terceiro bloco, os temas livres deveriam tratar sobre as regiões do Estado. 

Cleitinho escolheu perguntar para Kalil sobre o Sul de Minas, primeira região sorteada, mas antes disse que não sonegou impostos, como havia apontado Simões, alegando ter sido negado seu pedido de direito de resposta no segundo bloco. O senador perguntou o que o ex-prefeito e ex-presidente do Atlético Mineiro pretende fazer para baratear os pedágios no Sul de Minas. 

Kalil respondeu dizendo que a reforma tributária vai atrapalhar essa região mineira, com risco de perda de empregos por causa do fechamento de indústrias, segundo ele. 

Cleitinho argumentou que os benefícios das empresas vão acabar para, segundo ele, beneficiar o povo. 

A região sorteada em seguida foi a que compreende a Central e Centro-Oeste. Kalil disse que ela foi ''abandonada'' pelo governo estadual. Simões criticou a atuação de Kalil como prefeito de BH e falou sobre trabalhos do Estado nas cidades nessa parte de Minas.

Simões perguntou o que Kalil pretende fazer pelas cidades mineiras e criticou a atuação do adversário na prefeitura da capital. O ex-prefeito disse que teve boa votação em BH para rebater que teria sido um mau administrador.  

Centro de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais
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Centro de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais


Na pergunta que fez para Gabriel sobre a Zona da Mata, Simões quis saber as propostas para a saúde da região, alegando que o governo não conseguiu terminar o hospital regional devido ao PT, que administra Juiz de Fora, a maior cidade da região.  

Gabriel disse que vai ajudar a cidade a dar andamento ao hospital, e devolveu perguntando sobre um déficit estadual que, segundo ele, existe na gestão de Simões. O governador alegou que está fazendo obras na Zona da Mata para melhorar o atendimento em saúde.  

Gabriel, em seguida, perguntou para Patrus sobre o Rio Doce, na Região Leste de Minas, e quis saber como o petista pretende cuidar do local. Patrus disse que tem planos para o desenvolvimento regional, estimulando a produção de micro, pequenos e médios empreendedores, e que vai ter um trabalho ''vigoroso'' na proteção ambiental.

Gabriel afirmou que vai monitorar de forma independente as águas do Rio Doce, e dar apoio técnico e jurídico aos moradores. 

Em seguida foi a vez do petista perguntar para Roscoe sobre as propostas para a educação no Triangulo Mineiro. Roscoe disse que pretende ''revolucionar'' o setor no Estado, a exemplo das escolas do Sesi, segundo ele, administradas pela Fiemg, entidade da qual é presidente licenciado.

Patrus afirmou que o Triângulo tem grandes diferenças socaisi e econômicas, e que pretende levar a educação de qualidade para todas as cidades da região.   

Roscoe perguntou sobre o Norte de Minas para Cleitinho, e quis saber quais os planos para evitar a falta d'água na região. O senador disse que o Norte mineiro tem várias carências, e que ''falta tudo'' nas cidades.  

Roscoe questionou sobre as outorgas necessárias para melhorar os serviços, segundo ele, mas não teve resposta.

Quarto bloco

O último bloco foi com tema livre e considerações finais.  Patrus foi sorteado e escolheu debater com Cleitinho, e pediu para o senador apresentar o projeto para governar o Estado com políticas públicas. 

Cleitinho falou em fim da polarização com o Governo Federal, e prometeu conversar com todos os partidos. Patrus rebateu ao dizer que Cleitinho não respondeu sobre os projetos para Minas. Cleitinho disse que uma de suas bandeiras vai ser reduzir a burocracia para ter menos interferência estatal na vida das pessoas.

Cleitinho foi o próximo a perguntar, e se dirigiu a Simões, questionando sobre as acusações que, segundo ele, são feitas pelo governador contra conhecidos e um irmão do senador. Simões disse que recebeu oferta de propina de uma pessoa que trabalha com Cleitinho, e que não aceitou.  

Cleitinho disse que as pessoas que porventura erraram precisam pagar.

Simões teve a vez para fazer pergunta, e escolheu Roscoe. Disse que o dinheiro pago ao Governo Federal pela dívida do Estado não retorna em benefícios para a população e quis saber o que poderia ser feito pelo adversário. Roscoe concordou e afirmou que Minas recebeu pouco da União nos últimos 30 anos.

Os dois candidatos se uniram nas críticas ao PT e na defesa de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato a presidente da Republica. 

Roscoe citou a Kalil o palanque do ex-prefeito, em 2022 com o presidente da República, do PT, e perguntou o motivo de Kalil ter deixado de lado a proximidade com a centro-esquerda. Kalil disse que pretende se manter afastado da polarização entre esquerda e direita. 

O ex-prefeito escolheu perguntar para Gabriel sobre a suspensão das bets no Brasil. O ex-vereador disse que as apostas prejudicam a população e falou em''bet zero''. Gabriel citou, em tom de crítica, o patrocínio anunciado pelo governador e candidato Mateus Simões aos principais clubes de Minas - Atletico, Cruzeiro e América. A crítica havia sido levantada por Cleitinho em outro momento do debate. 

Gabriel foi o próximo a fazer pergunta, para Patrus. Quis saber do petista os erros que ele evitaria para não repetir Fernando Pimentel, do mesmo partido de Patrus. O petista reforçou que não advoga para o ex-governador.

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