Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas
Reprodução/TV Globo
Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas

O debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) pelo governo de São Paulo começou com uma discussão sobre a presença do Comando Vermelho no Estado e as medidas de combate ao crime organizado. Haddad questionou o governador sobre a atuação da facção em cidades como Piracicaba, Rio Claro, Caraguatatuba e Praia Grande e defendeu a criação de uma agência estadual de combate às facções, com participação da Polícia Federal e da Receita Federal.

Tarcísio rebateu destacando os resultados de sua gestão na segurança pública e afirmou que os principais indicadores criminais caíram no Estado.

A Globo convidou candidatos de partidos e federações com no mínimo cinco parlamentares no Congresso Nacional: Participaram os seguintes proponentes ao cargo máximo do Executivo paulista:

Tarcísio de Freitas (Republicanos);

Fernando Haddad (PT).

A emissora dividiu a atração em quatro blocos, na seguinte ordem:  tema determinado, tema livre, sorteio de região, tema livre e  tema livre e considerações finais. 

Veja abaixo os principais destaques de cada bloco.

Primeiro bloco

Fernando Haddad abriu o primeiro bloco escolhendo segurança pública na região metropolitana de Piracicaba. O candidato questionou Tarcísio de Freitas sobre a presença do Comando Vermelho em São Paulo e citou informações sobre a atuação da facção em regiões como Piracicaba, Rio Claro, Caraguatatuba e Praia Grande.

Haddad também criticou a situação das carreiras policiais e relacionou o avanço do crime organizado a diferentes setores da economia. O candidato defendeu a criação de uma agência estadual de combate às facções, com participação da Polícia Federal e da Receita Federal, e o uso de Inteligência Artificial no registro de boletins de ocorrência.

"Se não tivermos uma agência de combate ao crime organizado cooperativa, federativa, sem disputa de protagonismo, não vai funcionar. Quem tem que estar acima de tudo é o cidadão e o seu interesse na segurança pública", afirmou Haddad.

Tarcísio respondeu defendendo os resultados de sua gestão e afirmou que os principais indicadores criminais caíram no estado. Ele citou operações contra integrantes do  PCC, prisões de criminosos e ações nos setores de transportes e combustíveis.

"A gente, ao longo desse tempo, fez um trabalho muito sério na segurança pública. Não é por outra razão que todos os indicadores criminais estão caindo. A gente sabe que tem muita coisa para fazer, mas vamos continuar combatendo o crime com firmeza", disse Tarcísio.

A discussão avançou para acusações sobre relações políticas. Haddad mencionou integrantes da família do ex-vereador Milton Leite e questionou Tarcísio sobre apoios recentes. O governador respondeu citando casos envolvendo pessoas ligadas ao PT e afirmou que sua relação com a família Leite foi institucional.

Na segunda rodada, Tarcísio escolheu saúde na Baixada Santista e perguntou quais são as propostas de Haddad para a região. O petista criticou as filas para consultas, exames e cirurgias e defendeu hospitais-dia, mudanças no sistema de regulação e maior integração do Samu com a rede hospitalar.

Tarcísio respondeu citando hospitais e ambulatórios entregues ou em construção e defendeu a Tabela SUS Paulista. Segundo ele, a fila de cirurgias eletivas passou de 570 mil pessas, em 2022, para 156 mil. O candidato também afirmou que o estado ampliou a remuneração de procedimentos realizados pela rede.

Haddad contestou a gestão estadual e disse que o Governo Federal financia 407 equipamentos de saúde em municípios paulistas. Também defendeu a reformulação da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) e maior uso de Inteligência Artificial.

"Você acha razoável alguém ter que pegar um telefone fixo para saber se tem leito de hospital vazio para mandar ambulância para lá?", questionou.

Tarcísio rebateu dizendo que São Paulo já utiliza telemedicina e ferramentas digitais na saúde. Segundo ele, mais de 150 municípios são atendidos por serviços digitais e o estado utiliza telemedicina também na gestão de UTIs.

Os candidatos encerraram a rodada divergindo sobre a participação dos governos estadual e federal no financiamento da saúde.

Segundo bloco

Fernando Haddad abriu o segundo bloco questionando Tarcísio de Freitas sobre os benefícios fiscais concedidos pelo governo paulista. Citando o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o candidato cobrou a divulgação das empresas beneficiadas e dos valores que deixam de ser arrecadados.

Haddad classificou o sistema como uma "caixa-preta" e afirmou que Tarcísio recorreu à Justiça para evitar a divulgação de informações.

"No meu governo, a transparência vai ser total. Todo mundo vai saber, porque o cidadão tem que participar da discussão sobre o incentivo fiscal que está sendo dado para quem quer que seja", afirmou.

Tarcísio respondeu que sua gestão revisou os incentivos e eliminou benefícios que deixaram de fazer sentido. Segundo ele, houve redução de 30% na quantidade de benefícios tributários.

Na sequência, levou a discussão para políticas destinadas às mães atípicas e prometeu atendimento psicológico, assistência jurídica, centros especializados e jornada reduzida para servidoras estaduais que tenham filhos com deficiência.

Haddad criticou o atendimento de crianças com deficiência na rede estadual e afirmou que mães precisam permanecer nas escolas por falta de profissionais especializados.

Tarcísio negou a retirada desses trabalhadores, disse que houve contratações e prometeu salas sensoriais nas unidades de ensino.

Haddad voltou a rebater e citou o programa BPC na Escola, criado durante sua passagem pelo Ministério da Educação.

Trem estacionado na Linha 2-Verde, na Estação Alto do Ipiranga, Zona Sul da capital
Micaela Wentz/ iG
Trem estacionado na Linha 2-Verde, na Estação Alto do Ipiranga, Zona Sul da capital


Na segunda rodada, Tarcísio mudou o assunto para a economia. Citou empresas em recuperação judicial, como Casas Bahia, Tok&Stok, Marabraz e Habib's, e questionou Haddad sobre o endividamento das empresas e a necessidade de um ajuste fiscal no país.

Haddad respondeu citando despesas que, segundo ele, foram herdadas do governo de Jair Bolsonaro (PL), incluindo precatórios e compensações aos estados. Também defendeu a política econômica do Governo Federal, mencionou a geração de empregos, a ampliação da isenção do Imposto de Renda e a reforma tributária.

Ao defender a reforma, Haddad afirmou que o novo sistema levou décadas para ser construído e criticou propstas de mudanças.

"Tem documento de economistas de todas as escolas defendendo a reforma tributária. Uma coisa que levou 40 anos, a muitas mãos, para ser construída, e vocês estão querendo destruir a maior conquista depois do Plano Real", disse.

Tarcísio rebateu com críticas às contas do Governo Federal. O candidato citou o aumento da dívida, das despesas primárias e do déficit nominal e relacionou a situação fiscal às taxas de juros. Também afirmou que São Paulo criou cerca de 1,5 milhão de postos de trabalho com carteira assinada desde 2023.

"A gente está vendo a economia patinando, as pessoas endividadas e as empresas quebrando. O governo está gastando muito e não faz ajuste. As pessoas estão sofrendo, o cidadão está sofrendo e o carrinho de supermercado está mais vazio", afirmou Tarcísio.

Haddad então direcionou as críticas para as contas estaduais e afirmou que São Paulo reduziu sua disponibilidade em caixa. Tarcísio respondeu que o estado registrou superávit primário nos últimos três anos, defendeu a situação fiscal paulista e disse que a dívida caiu.

Os dois encerraram o bloco divergindo sobre gastos públicos, endividamento e capacidade de investimento.

Urna eletrônica
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Urna eletrônica


Terceiro bloco

Tarcísio de Freitas abriu o terceiro bloco escolhendo transporte na região metropolitana de São Paulo. O candidato citou obras como o Rodoanel Norte e as linhas 17-Ouro e 6-Laranja, além de expansões previstas para diferentes linhas de Metrô e trens metropolitanos.

Haddad respondeu destacando a participação do Governo Federal no financiamento de obras de infraestrutura no estado. Segundo ele, foram liberados R$ 13,7 bilhões para projetos paulistas. O candidato também apresentou como proposta a integração das tarifas do transporte público na Grande São Paulo, em modelo semelhante ao Bilhete Único.

Tarcísio contestou a forma como Haddad apresentou os recursos federais e afirmou que parte do dinheiro corresponde a operações de crédito que precisarão ser pagas.

Ele também disse que seu governo estuda a integração tarifária, mas defendeu primeiro a criação de uma governança metropolitana para definir subsídios, meios de pagamento e funcionamento do sistema.

A discussão avançou para as privatizações. Haddad criticou as concessões de trens metropolitanos, citou reclamações envolvendo a Sabesp e afirmou que interromperia o que chamou de "privatização desenfreada". Tarcísio defendeu as concessões e disse que a participação privada permitirá melhorar a infraestrutura e a qualidade dos serviços.

Ao defender o modelo, Tarcísio afirmou que os resultados aparecerão com os investimentos previstos.

"A gente não consegue construir um prédio pela cobertura, a gente começa pela fundação. As pessoas vão ver o transporte melhorando, o tempo de viagem diminuindo, a qualidade dos terminais e dos trens melhorando", disse.

Haddad encerrou a discussão sobre transporte voltando a criticar as privatizações e citando falhas nos trens concedidos à iniciativa privada.

"Nós temos que parar com essa coisa de ficar olhando para a Faria Lima, para ficar agradando empresário rico. Nós temos que entender o usuário, quem usa o serviço público", afirmou.

Na segunda rodada, Haddad escolheu educação na região metropolitana de Campinas. Ele afirmou que São Paulo caiu da terceira para a décima posição no Ideb do ensino médio público e questionou Tarcísio sobre as medidas previstas para recuperar o desempenho.

Tarcísio respondeu citando resultados de São Paulo no Pisa e apresentou propostas como alfabetização na idade certa, um pacto pela matemática, concursos anuais para professores e ampliação do ensino integral. Também defendeu o crescimento do ensino profissionalizante e afirmou que a parcela de estudantes do ensino médio nessa modalidade passou de 12% para 42%.

Rodovias Anhanguera e Bandeirantes ligam a capital São Paulo aos polos do interior
Reprodução/CCR Autoban
Rodovias Anhanguera e Bandeirantes ligam a capital São Paulo aos polos do interior



Haddad contestou as críticas de Tarcísio à sua passagem pela Prefeitura de São Paulo, disse ter criado 101 mil vagas na educação infantil e afirmou que o Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental passou de 4,8 para 5,8 durante sua gestão.

Para o ensino médio estadual, defendeu uma reforma inspirada no modelo dos Institutos Federais.

"Nós não podemos conviver com os indicadores atuais. É um crime que nós estamos cometendo com a juventude", afirmou.

Tarcísio disse que sua gestão reduziu os itinerários formativos, ampliou o ensino técnico e criou estágios remunerados para estudantes. Segundo ele, cerca de 30 mil alunos participam atualmente do programa e a frequência escolar passou de 78% para 91%.


Os dois também divergiram sobre alfabetização, com Haddad apontando que São Paulo ficou abaixo da média nacional e Tarcísio citando o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização recebido pelo estado.

Quarto bloco

Tarcísio de Freitas abriu o quarto bloco perguntando a Fernando Haddad sobre medidas para aumentar a resiliência hídrica de São Paulo. Haddad citou o plano de transformação ecológica elaborado pelo Governo Federal e afirmou que o estado precisa se preparar para períodos de seca, incêndios e outros efeitos das mudanças climáticas.

Tarcísio respondeu que São Paulo já possui um plano de adaptação climática e prometeu investir R$ 30 bilhões em ações de resiliência. Ele citou reservatórios nas regiões de Campinas e Sorocaba, obras na Baixada Santista, desassoreamento de rios e investimentos na Defesa Civil.

O debate então se concentrou na Sabesp. Haddad criticou a privatização e citou relatos de falta de água e problemas de abastecimento. Também lembrou a promessa de redução das tarifas feita por Tarcísio antes da venda da companhia.

Tarcísio defendeu a privatização e afirmou que a Sabesp mantém padrões de potabilidade e ampliou sua capacidade de investimento. O governador citou bairros que passaram a receber água e a expansão da coleta e do tratamento de esgoto.

"A gente está chegando onde nunca chegou. Dois milhões de pessoas que não tinham água potável agora têm. Eram pessoas esquecidas, que foram deixadas de lado", afirmou.

Haddad rebateu dizendo que os investimentos poderiam ter sido realizados sem a venda da ompanhia. Ele afirmou que a Sabesp era lucrativa e poderia recorrer a parcerias com empresas privadas mantendo o controle estatal.

"Você vai passar a vida justificando a privatização de uma empresa saudável e não vai conseguir, até porque a população de São Paulo era contra a privatização e continua sendo. Ela está pagando o preço pelo erro estratégico que você cometeu", disse.

Tarcísio voltou a defender a operação e afirmou que a privatização preservou contratos da Sabesp e garantiu recursos para antecipar a universalização do saneamento. Segundo ele, estão previstos R$ 70 bilhões em investimentos até 2029.

A discussão chegou novamente à segurança pública depois que Haddad citou feminicídios e crimes de intolerância e afirmou que alertas feitos durante a campanha de 2022 se confirmaram. Tarcísio respondeu defendendo os indicadores de sua gestão e disse que seu secretário de Segurança Pública entregou os melhores resultados da série histórica iniciada em 2001 

Os candidatos também divergiram sobre o IntegraTietê. Tarcísio afirmou que o programa prevê R$ 25 bilhões em investimentos e disse que houve redução da carga de matéria orgânica despejada no rio. Haddad questionou os resultados e voltou a relacionar o saneamento à privatização da Sabesp.

Na parte final, Tarcísio levou o debate para a habitação e perguntou como Haddad pretende reduzir o déficit habitacional paulista. Haddad citou sua passagem pela Prefeitura de São Paulo e afirmou que mudanças no Plano Diretor aumentaram a produção de habitação de interesse social. Ele defendeu levar parte dessa experiência a cidades do interior, com projetos de revitalização de áreas centrais.

Tarcísio respondeu citando a atual revitalização do centro da capital e projetos realizados em parceria com a gestão do prefeito Ricardo Nunes. O debate terminou com Haddad fazendo críticas à administração municipal e mencionando contratos e decisões relacionadas ao Plano Diretor.

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