Candidatos ao governo de Goiás durante o início do debate na Tv Anhanguera
Reprodução/TV Anhanguera
Candidatos ao governo de Goiás durante o início do debate na Tv Anhanguera

O debate entre os candidatos ao governo de Goiás foi marcado por uma troca de acusações entre Marconi Perillo (PSDB) e Daniel Vilela (MDB), que se enfrentaram sobre emprego, agronegócio, reforma tributária e a situação financeira do Estado. Em um dos principais embates, Marconi afirmou que Daniel “torce contra o estado de Goiás”, enquanto o candidato do MDB defendeu a atuação do governo de Ronaldo Caiado e criticou as propostas do adversário.

Participaram do embate na TV Globo os seguintes proponentes ao cargo máximo do Executivo goiano:

Daniel Vilela (MDB);

Marconi Perillo (PSDB);

Wilder Morais (PL);

Luis Cesar Bueno (PT).

A emissora dividiu a atração em quatro blocos, na seguinte ordem:  tema determinado, tema livre, sorteio de região, tema livre e  tema livre e considerações finais. 

Veja abaixo os principais destaques de cada bloco

Primeiro bloco

Marconi Perillo abriu o debate perguntando a Wilder Morais como resolver as filas da saúde em Goiás.

“Eu vou resolver a saúde aqui do estado de Goiás, criando uma tabela de serviço”, respondeu Wilder, ao defender a contratação de hospitais privados e filantrópicos.

Na réplica, Marconi prometeu: “Nós vamos primeiro trabalhar nos primeiros quatro meses para zerar a fila de cirurgias eletivas e de exames”. Na tréplica, Wilder afirmou: “A saúde vai funcionar e vai ser uma das melhores do Brasil aqui no Estado de Goiás”.

Wilder Morais perguntou a Luiz César Bueno como reagiria a ocupações de propriedades pelo MST. “O presidente Lula é o presidente que tem apoiado o agronegócio”, respondeu Bueno, ao defender a compra de terras para a reforma agrária. Na réplica, Wilder afirmou que “invasão para nós é crime” e prometeu reforçar a segurança rural. Na tréplica, Bueno rebateu: “Existe um quantitativo grande de fazendeiros que se dispõem a vender essas terras para o INCRA”.

Urna eletrônica
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Urna eletrônica

Daniel Vilela perguntou a Marconi Perillo sobre suas propostas para o esporte. “Nós vamos voltar à Bolsa Atleta”, respondeu Marconi. Na réplica, Daniel contestou: “Candidato, a Bolsa Atleta já existe”, e destacou o MotoGP e a modernização do Serra Dourada. Na tréplica, Marconi criticou a concessão do estádio e anunciou o programa Limpa Nome: “O governo vai comprar até 10 mil reais de dívida”.

Na tréplica, Wilder afirmou que Bueno citou rodovias federais e prometeu duplicar os trechos entre Bela Vista e Catalão, cidade de Goiás e Aruanã e cidade de Goiás e São Miguel do Araguaia. Ao mencionar um acidente com mortes em Buriti Alegre, prometeu corrigir trechos conhecidos como “curvas da morte” no primeiro ano de governo. “Nós vamos fazer um levantamento nos primeiros 100 dias”, afirmou, ao defender intervenções como ampliação das pistas e construção de terceiras faixas.

Na sequência, Wilder Morais perguntou a Marconi Perillo como pretende melhorar o atendimento na saúde e reduzir a fila de cirurgias eletivas. Marconi respondeu que construiu mais de 20 hospitais em seus governos e acusou a atual gestão de mudar nomes de unidades e deixar pacientes sem atendimento. “Agora nós vamos adotar a política de comprar vagas nos hospitais particulares, nos filantrópicos”, prometeu. O candidato também defendeu mudanças na regulação, regionalização do atendimento e apoio às Santas Casas.

Por fim, Luiz César Bueno perguntou a Daniel Vilela sobre uma possível privatização da Saneago. “Não há nenhuma possibilidade de privatização da nossa parte”, respondeu Daniel, que defendeu a atuação da empresa e prometeu ampliar os investimentos em saneamento na zona rural.

Na réplica, Bueno atribuiu ao governo Lula investimentos no abastecimento e no tratamento de esgoto em Goiás e rejeitou a venda da companhia. “Somos contra a privatização”, afirmou. Também criticou a privatização da Celg e citou dificuldades de empresários para conseguir fornecimento de energia.

Na tréplica, Daniel defendeu a gestão da Saneago e a ampliação do atendimento aos municípios e distritos do interior. Ressalvou, porém, que “podemos fazer parcerias públicas e privadas” para aumentar os investimentos. O candidato também afirmou que a empresa deixou para trás episódios de corrupção registrados antes do governo Ronaldo Caiado.

Segundo bloco

No segundo bloco, Daniel Vilela citou os programas Mães de Goiás, Cartão Mais Dignidade, Goiás por Elas e Aluguel Social e perguntou a Luiz César Bueno sobre propostas para a área social.

“Nós vamos ampliar os programas sociais, garantir uma rede de proteção às pessoas em situação de vulnerabilidade”, respondeu Bueno, que defendeu parcerias com o governo federal e as prefeituras.

Na réplica, Daniel afirmou: “O próximo passo é qualificação desses beneficiários”, e propôs parcerias com o Sistema S e investimentos no ensino profissionalizante para ampliar o acesso ao emprego.

Bueno disse, na tréplica, que a "dignidade depende do emprego e da renda" e lembrou que no governo Bolsonaro parte da população brasileira "estava na fila do osso, enquanto no governo Lula estamos com o menor índice de desemprego no país", afirmou.

Na sequência, Marconi Perillo perguntou a Daniel Vilela sobre geração de emprego e renda, citou resultados de seus governos e criticou a situação do agronegócio. “Nós vivemos hoje a pior crise do agro nos últimos 30 anos”, afirmou.

Na réplica, Marconi propôs uma nova securitização das dívidas do agro e afirmou que a reforma tributária ameaça a indústria goiana. “Eu quero liderar um movimento para a gente reformar essa reforma”, disse. Também prometeu ampliar a rede de ensino profissionalizante, com ênfase em inteligência artificial.

Na tréplica, Daniel afirmou que Marconi “torce contra o estado de Goiás” e defendeu a atuação de Ronaldo Caiado contra a reforma tributária. O candidato associou a atração de empresas à credibilidade do governo e à segurança pública. “A segurança pública aqui tem garantido os investimentos”, afirmou, ao defender correções na reforma para evitar prejuízos ao estado.

A organização do debate negou um pedido de direito de resposta de Marconi Perillo após a discussão com Daniel Vilela.

Goiânia, capital de Goiás
Raphael Bezerra
Goiânia, capital de Goiás


No tema infraestrutura, Luiz César Bueno destacou investimentos que atribuiu ao governo Lula e perguntou a Wilder Morais: “O senhor reconhece uma obra que o presidente Bolsonaro fez aqui em Goiás?”, provocou. Wilder criticou a pergunta, questionou uma possível aproximação de Bueno com o MDB e cobrou propostas estaduais. “Quais os investimentos, quais as rodovias que você vai duplicar aqui no estado de Goiás”, questionou.

Na réplica, Bueno prometeu: “Junto com o presidente Lula, nós vamos duplicar a Rodovia do Agro, que liga de Itumbiara até Rio Verde”. Também defendeu ramais de ligação à Ferrovia Norte-Sul para escoar a produção e reduzir os custos do transporte. “Para baratear o frete, nós precisamos colocar a produção na Ferrovia Norte-Sul”, afirmou. O candidato ainda citou o anel viário de Goiânia e propôs ampliar a estrutura logística do estado.

Na última pergunta do segundo bloco, Wilder perguntou a Marconi Perillo sobre saúde pública e redução da fila de cirurgias eletivas. Marconi citou a construção de mais de 20 hospitais em seus governos e criticou a atual gestão. “Agora nós vamos adotar a política de comprar vagas nos hospitais particulares, nos filantrópicos”, prometeu, ao defender mudanças na regulação e regionalização do atendimento.

Na réplica, Wilder também propôs uma tabela de preços para contratar serviços de hospitais privados, instituições filantrópicas e Santas Casas. “Nós não vamos deixar que aquelas pessoas fiquem esperando anos por uma cirurgia”, afirmou. O candidato relatou ter ouvido de um pai que o filho de nove anos aguarda uma cirurgia há sete e prometeu tornar a saúde a prioridade de seu governo.

Na tréplica, Marconi criticou a falta de humanização na saúde e passou a questionar a candidatura de Wilder ao governo. “Eu acho que o senhor precisa continuar no Senado”, disse.

Terceiro bloco


No início do terceiro bloco, Wilder Morais perguntou a Marconi Perillo sobre como pretende administrar Goiás diante do que apontou como dificuldades fiscais que prevê para o próximo ano.  Marconi apontou riscos na reforma tributária, no endividamento do agro e nas contas públicas. “Eu não estou aqui profetizando o caos, eu estou apenas sendo realista”, afirmou, ao defender articulação com outros governadores para preservar incentivos fiscais.

Na réplica, Wilder propôs industrializar a produção agropecuária e mineral e ampliar o turismo. Também respondeu à sugestão de permanecer no Senado, feita por Marconi no bloco anterior. “O estado de Goiás, nesse momento, precisa de um grande gestor”, afirmou, ao defender sua experiência para governar.

Cabina de votação com a nova urna modelo UE2020 é apresentada em seção eleitoral simulada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro
Fernando Frazão/Agência Brasil - 29/09/2022
Cabina de votação com a nova urna modelo UE2020 é apresentada em seção eleitoral simulada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro


Na tréplica, Marconi insistiu que Wilder deveria continuar senador. “O Senado precisa de um senador de direita, que resolva os problemas que estão pendentes”, disse. O candidato citou obras e indústrias que atribuiu aos seus governos e voltou a defender mudanças na reforma tributária. Também afirmou que o déficit primário estadual pode chegar a quase R$ 8 bilhões e alertou: “E isso pode significar atraso de folha”.

Na sequência, Marconi perguntou a Luiz César Bueno sobre propostas para a educação e a Universidade Estadual de Goiás (UEG). Criticou a gestão da instituição e afirmou que mais de dez unidades e mais de 50 cursos foram fechados. Bueno defendeu escolas de tempo integral em toda a rede estadual e a recuperação da universidade. “É necessário recuperar o salário do professor, recuperar a carreira do professor”, afirmou.

Na réplica, Marconi propôs um programa com “meio salário mínimo para todo estudante do ensino médio”, associado à formação profissional e ao primeiro emprego. Também prometeu financiar creches em parceria com prefeituras, recompor recursos da UEG e ampliar cursos. “Vamos criar inclusive uma rede na UEG para formar professores para ensino especial”, disse.

Na tréplica, Bueno criticou o histórico de Marconi na educação. “O senhor como governador teve a oportunidade na época de fazer justamente todo esse investimento na carreira do professor”, afirmou, acusando seus governos de retirar direitos e vantagens da categoria. Bueno também defendeu cursos profissionalizantes no ensino médio e uma estrutura tecnológica na UEG, com plano de carreira docente e formação voltada às necessidades econômicas de cada região.

Na última penúltima pergunta do terceiro bloco, Luiz César Bueno perguntou a Daniel Vilela como pretende enfrentar a perda de benefícios fiscais com a reforma tributária. Daniel atribuiu a proposta ao governo Lula e prometeu negociar alterações com o Congresso Nacional. Também previu a derrota do presidente na eleição.

Daniel defendeu investimentos em tecnologia para ampliar a geração de empregos e receitas. “Vamos agregar valor, vamos investir em tecnologia”, afirmou. Como exemplos, citou o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) e a criação do Distrito de Inovação e Inteligência Artificial, que atribuiu à sua gestão.

Na réplica, Bueno defendeu a reforma, à qual atribuiu simplificação dos impostos e justiça fiscal. “Goiás perde com o fim dos benefícios fiscais, mas ganha pela sua estrutura logística”, disse, ao destacar rodovias e a Ferrovia Norte-Sul. Prometeu atrair empresas para ampliar a produção e o emprego.

Na tréplica, Daniel reforçou as propostas de investimentos em tecnologia, qualificação profissional e infraestrutura. “Hoje nós temos 84 rodovias em execução, nenhuma delas parada”, afirmou. O candidato citou obras em diferentes regiões, como a duplicação entre Caldas Novas e o trevo de Piracanjuba e a estrada de acesso ao Parque Estadual de Terra Ronca.

aniel Vilela perguntou a Wilder Morais sobre propostas para a transformação digital no serviço público. Wilder apontou problemas de conectividade em escolas e na saúde. “Nós temos que ter a infraestrutura em vários lugares do estado de Goiás”, respondeu, ao defender investimentos para atrair empresas de tecnologia.

Na réplica, Daniel contestou a avaliação e citou a distribuição de Chromebooks aos estudantes, o Hub Goiás e o Distrito de Inovação e Inteligência Artificial. “A transformação digital, ela facilita a vida do cidadão”, afirmou, ao defender o uso de tecnologia para aumentar a eficiência dos serviços públicos.

Na tréplica, Wilder prometeu atrair data centers para o Entorno de Brasília, qualificar trabalhadores e gerar empregos próximos de suas casas, reduzindo a necessidade de deslocamento ao Distrito Federal. Também propôs integrar os sistemas de regulação da saúde. “A tecnologia ajuda, sim. Mas nós temos que fazer a entrega”, disse, ao cobrar resultados concretos para a população.

Quarto bloco

Na abertura do quarto e último bloco, Luiz César Bueno perguntou a Marconi Perillo sobre ensino profissionalizante e valorização dos professores.

“Quem retirou direitos dos trabalhadores da educação foi o atual governo”, respondeu Marconi. Prometeu incorporar gratificações e cortar a cobrança de 14,25% dos professores aposentados.

Na réplica, Bueno prometeu concurso público e recuperação salarial. Criticou a redução dos rendimentos na aposentadoria: “Ele perde praticamente quase 50% do seu salário”.

Na tréplica, Marconi atacou: “A prática do atual governo é da decoreba”. Acusou a gestão de cortar recursos da pesquisa e da UEG, reivindicou apoio ao início do polo de inteligência artificial da UFG e prometeu recompor investimentos e realizar concursos.

Em seguida, Wilder Morais perguntou a Luiz César Bueno sobre transparência nos dados da saúde e da segurança. Bueno prometeu “transparência para todos os atos” e atribuiu aos governos do PT a criação de portais de informação.

Na réplica, Wilder propôs indicadores, prazos e responsáveis pelas obras, além do acompanhamento de consultas e cirurgias pelo celular. “Nós vamos ter um painel”, afirmou, ao prometer acesso aos gastos públicos.

Na tréplica, Bueno atacou o governo do PL, que, segundo ele, “não dá qualquer tipo de segurança jurídica ao país”, e criticou o golpismo e a intolerância religiosa. Propôs uma nuvem de governo para integrar informações dos órgãos públicos e a substituição de comissionados por concursados.

Chapada dos Veadeiros - Alto Paraíso de Goiás (GO)
Divulgação: KAYAK
Chapada dos Veadeiros - Alto Paraíso de Goiás (GO)


Daniel Vilela perguntou a Wilder Morais sobre tecnologia e inovação e destacou o programa IA Contra o Crime. Wilder reiterou a proposta de atrair empresas e data centers para o Entorno de Brasília. “Nós precisamos gerar emprego e renda”, respondeu.

Na réplica, Daniel cobrou propostas concretas e defendeu o uso de inteligência artificial na segurança. “Nós estamos criando um cinturão digital”, afirmou, ao apresentar o sistema como ferramenta para localizar criminosos.

“Tecnologia não vai algemar ninguém e não vai prender ninguém”, rebateu Wilder na tréplica. Afirmou que roubos e furtos aumentaram na gestão de Daniel e cobrou mais policiais, viaturas e patrulhamento. Também prometeu reforçar o combate às drogas e a proteção às mulheres.

Na última pergunta do debate, Marconi Perillo questionou o número de comissionados e perguntou sobre concursos e valorização dos servidores. Daniel Vilela defendeu a gestão e afirmou que o governo completará “oito anos sem nenhuma única greve”.

“Não é isso que eu escuto no dia a dia”, rebateu Marconi na réplica. Citou reclamações sobre o Ipasgo, salários e tratamento dos policiais aposentados. Prometeu concursos e cumprimento dos planos de carreira.

“Você retirou a titularidade dos professores”, atacou Daniel na tréplica. Também atribuiu a Marconi a criação da contribuição previdenciária de 14,25% e criticou as condições dos antigos soldados de terceira classe. Defendeu os reajustes e benefícios concedidos aos policiais e contestou a afirmação de Wilder sobre aumento da criminalidade.


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