Crianças do ensino fundamental chegam para as aulas presenciais na Escola Estadual Terezine Arantes Ferraz Bibliotecaria, em São Paulo
Rovena Rosa/Agência Brasil - 15/09/2021
Crianças do ensino fundamental chegam para as aulas presenciais na Escola Estadual Terezine Arantes Ferraz Bibliotecaria, em São Paulo

Estimativas realizadas por pesquisadores da Escola Nacional de Administração Pública (Enap) mostram que, se um aluno que tem aula com os 10% piores professores passasse a ter aula com os profissionais de desempenho médio, a sua renda seria 8% maior ao longo da vida profissional. Isso significa R$ 34 mil, já que a renda total de uma pessoa com ensino médio completo é de aproximadamente R$ 427 mil.

O resultado é de estudo inédito do Instituto Millenium intitulado “Grandes Mestres Fazem Grandes Diferenças? – Valorizando a contribuição do Professor para o desempenho do Aluno da Educação Básica”.

O artigo, assinado por Diana Coutinho e Claudio D. Shikida, ambos da Escola Nacional de Administração Pública, defende que o ensino brasileiro atual não é um exemplo de sucesso considerando que professores com diferentes níveis de formação e de comprometimento são tratados igualmente em termos salariais.

— Será que a qualidade dos professores é realmente similar a ponto de os salários entre eles serem tão parecidos? O estudo nos mostra que não e também sinaliza que precisamos reconhecer e valorizar os melhores professores, inclusive financeiramente — afirma Diana Coutinho, diretora de Altos Estudos da Enap.

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O artigo conclui que mensurar a qualidade dos professores e estimar seu impacto sobre o desempenho dos alunos é um importante passo no estímulo de práticas pedagógicas e de gestão educacional que, efetivamente, auxiliem na melhoria da qualidade do ensino. O estudo ainda sugere a necessidade de se repensar a contribuição do professor no desempenho de seus alunos por meio de políticas baseadas no chamado valor adicionado do professor (VAP), uma metodologia de avaliação de desempenho do profissional.

"A identificação dos professores com menores e maiores VAPs também permitiria a implementação de um sistema de aprendizado por pares, em que os professores com maior VAP poderiam servir como mentores de professores com menor VAP. Finalmente, a adoção de uma gratificação variável em função do VAP reconheceria e valorizaria os professores que mais contribuem para o aprendizado dos alunos e resultaria em uma remuneração que melhor reflete a contribuição de cada professor", defendem os autores

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