Apesar dos protocolos sanitários, poucos alunos voltaram às escolas.
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Apesar dos protocolos sanitários, poucos alunos voltaram às escolas.

Alunos de escolas estaduais de 16 municípios do Rio de Janeiro retomam as atividades presenciais nesta segunda-feira (19), depois de sete meses de atividades suspensas por conta da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2). 

A volta às aulas está autorizada para estudantes do 3º ano do Ensino Médio, nas modalidades regular, técnico e de Educação de Jovens e Adultos (EJA - Fase IV). Na capital, 19 escolas não vão reabrir. Nas unidades que voltaram a receber alunos, o movimento nas salas de aula foi tímido.

No Colégio Estadual José Leite Lopes, no Andaraí, onde funciona o NAVE, programa de educação do Oi Futuro, são cerca de 120 estudantes distribuídos em quatro turmas de 3º ano do Ensino Médio. O professor de História e Sociologia Fernando Mauro, no entanto, estima que cerca de dez retornam à escola, na Zona Norte do Rio, nesta segunda-feira.

"Eu já estou com saudades, mas a maioria deve continuar no ensino remoto . Hoje vamos conversar, falar sobre as mudanças", disse o professor.

Morador da Ladeira dos Guararapes, no Cosme Velho, Lúcio Flávio de Oliveira, de 18 anos, é aluno de uma das 10 turmas concluintes do Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, no Catete. Diferente dos cerca de 20 colegas que voltaram à escola nesta segunda-feira, ele decidiu continuar no ensino remoto, mas passou pela unidade para ver o movimento.

"Não acho que vale a pena voltar porque é muito pouco tempo de aula que ainda falta para o ano acabar, e não me sinto seguro porque minha mãe tem bronquite asmática e problema de coração", conta.

Por conta do número reduzido, os estudantes, que seriam divididos em três turmas, foram concentrados em uma única sala, mas segundo os alunos o distanciamento foi respeitado. Eles não observaram marcações no chão dos corredores ou nas salas orientando sobre a distância segura entre as pessoas.

"Tinha álcool em gel em vários lugares, as mesas estavam bem distantes umas das outras e a direção explicou que a gente deveria trazer uma garrafinha. Banheiro também só vai um de cada vez. Vim hoje para entender tudo. Ainda estou pensando se vou voltar mesmo", conta Matheus, de 17 anos.

As aulas , de fato, só devem começar amanhã, e em horário reduzido:

"Hoje foi mais um bate-papo. Explicaram para a gente as regras, sobre distanciamento", diz Ana Carolina, de 17 anos. "Eu me senti bastante segura, não aguentava mais ficar em casa. Estudar pela internet é muito complicado, e depende muito se você tem estrutura ou não. Meu celular está quebrado, uso a internet do meu vizinho... é difícil".

A baixa adesão neste primeiro dia de volta às aulas também aconteceu no Colégio Paulo de Frontin, na Praça da Bandeira, que tem turmas apenas de Ensino Médio.

No turno da manhã, o horário de entrada foi estendido até as 8h30, mas apenas sete alunos voltaram à escola, de cerca de 160 estudantes em quatro turmas de 3º ano. Eles foram recebidos por uma inspetora, que fazia a aferição da temperatura e indicava o uso de álcool gel em um totem posicionado na portaria.

No Colégio Visconde de Cairu, no Méier, os nove estudantes que voltaram às atividades presenciais ganharam duas máscaras de tecido . Além de medição de temperatura na entrada, alunos contaram que encontraram tapetes sanitizantes e dispensers de álcool em gel espalhados pelos corredores.

"No refeitório tinha a marcação de distanciamento e todo mundo estava usando máscaras e luvas. A gente esperava que a escola estivesse de qualquer jeito, mas está tudo muito organizado", contou a aluna Samira, de 17 anos.

A reabertura das escolas estaduais foi anunciada há dez dias, e ocorre cerca de 20 dias após a retomada das atividades presenciais nos colégios particulares da capital, em meio a um vai e vem judicial.

Desde então, pelo menos 12 escolas privadas já registraram casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 entre alunos e funcionários, segundo denúncias acolhidas pelo Sindicato de Professores do Município (Sinpro Rio).

Além da capital, outras quinze cidades aderiram à retomada das atividades presenciais: Carapebus, Casimiro de Abreu, Duque de Caxias, Italva, Itatiaia, Macaé, Mesquita, Miracema, Natividade, Nilópolis, Niterói, Piraí, São Francisco de Itabapoana e Seropédica. Quatro das dezesseis cidades, no entanto, têm escolas que não vão reabrir.

O estado afirma que repassou aos colégios um total de R$ 9 milhões, oriundos do Tesouro Estadual, para a adequação das unidades aos protocolos sanitários . Cada escola recebeu entre R$ 3 mil e R$ 34 mil, de acordo com o tamanho e a quantidade de matrículas, para instalar totens de álcool em gel e comprar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), entre outros gastos.

Veja as escolas que não reabrem nesta segunda-feira, dia 19:

Rio de Janeiro (19 escolas)

  • CE Agostinho Neto
  • CE Bangu
  • CE Barão de Santa Margarida
  • CE Barão do Rio Branco
  • CE Deborah Mendes De Moraes
  • CE Engenheiro João Thomé
  • CE Francisco Caldeira de Alvarenga
  • CE George Washington
  • CE Professor Ney Cidade Palmeiro
  • CE Professora Jeannette De Souza Coelho Mannarino
  • CE Professora Vilma Atanázio
  • CE Stuart Edgar Angel Jones
  • CE Júlia Kubitschek
  • CIEP 205 Frei Agostinho Fíncias
  • CE Chiquinha Gonzaga
  • CE João Alfredo
  • CE Souza Aguiar
  • CE André Maurois
  • CE Professor Antonio Maria Teixeira Filho

Niterói

  • Liceu Nilo Peçanha

Mesquita

  • CE Ana Neri

Casimiro de Abreu

  • CE Santa Maria
  • CE Indaiaçu
  • CE Rio Dourado

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