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Proposta do deputado Carlos Jordy (PSL) pretende substituir Paulo Freire pelo padre; educador é criticado frequentemente por bolsonaristas

Paulo Freire
Creative Commons/Slobodan Dimitrov
Atual patrono da educação, Paulo Freire

Um projeto de lei do deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) declara São José de Anchieta como patrono nacional da Educação, título do educador Paulo Freire desde 2012. O santuário que carrega o nome do padre, no entanto, divulgou uma nota oficial em que repudia a proposta. 

Paulo Freire vem sendo criticado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL) desde a campanha presidencial. Durante sua cerimônia de posse no MEC, o ministro Abraham Weintraub atribuiu os baixos índices de educação no País ao educador. Em abril, o presidente também chegou a dizer que pretende  mudar o patrono da Educação no Brasil. 

O projeto do deputado Jordy revoga uma lei de 2012 da deputada Luiza Erundina (PSOL) – que deu o título a Freire – e institui o padre como novo patrono. "A revogação da lei que declara Paulo Freire Patrono da Educação brasileira se impõe diante da calamidade da educação nacional. Os testes internacionais em que o Brasil participa como medição de qualificação escolar, vem demonstrando a decadência do ensino nas escolas do país. O fracasso é de envergonhar o Brasil no mundo", diz o texto da proposta. 

O Santuário São José de Anchieta é localizado no litoral do Espírito Santo e recebeu o nome devido à canonização do padre pelo Papa Francisco, em 2014, e declaração como copadroeiro do Brasil, em 2015.  Neste sábado (25), o santuário afirmou, em nota, que recebe "com preocupação" a notícia de que existe um PL que propõe o nome do padre Anchieta para o patronato. O comunicado foi assinado pelos padres Nilson Marostica e Bruno Franguelli, reitor e vice-reitor do local. 

"O Padre José de Anchieta merece, de fato, todo louvor e reconhecimento pelo imenso bem que fez pelo nosso Brasil, principalmente, no que se refere ao tema da educação", diz um trecho da nota. Os padres, no entanto, afirmam que não podem aceitar que seu legado seja "instrumentalizado para fins meramente ideológicos". 

"Reconhecemos a imensa importância do legado de Paulo Freire para o Brasil e para o mundo. Tanto José de Anchieta como Paulo Freire caminham na mesma direção. Ambos optaram por estar à serviço da educação dos marginalizados". A nota diz ainda que o padre não pode receber o título no momento em que o tema não parece ser prioridade na agenda do País. Leia o texto completo: 




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Freire faleceu em 1997 e dedicou parte de sua vida à alfabetização e à educação da população pobre.  Um estudo de 2016 na London School of Economics afirma que sua obra, "A Pedagogia do Oprimido", é a terceira mais citada em trabalhos de humanas. Ele também é o único brasileiro na lista dos cem mais importantes para universidades inglesas.