Tamanho do texto

Governador de São Paulo ampliou para 7 o número de aulas por dia na rede estadual, o que obrigará estudantes a ficarem 15 minutos a mais na escola

João Doria e Rossieli Soares
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo - 26.4.19
Governador de São Paulo, João Doria (PSDB) anunciou novas mudanças no calendário escolar na rede estadual

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta segunda-feira (6)  novas mudanças para os ensinos fundamental e médio da rede pública estadual. A partir do ano que vem, o dia de aula nas escolas paulistas passará a ser 15 minutos mais longo devido ao acréscimo no número de aulas por dia, que passará das atuais seis para sete.

Para fazer isso, o governo Doria encurtou em 10% a duração de cada aula, que agora terá 45 minutos de duração, e não mais 50. Pelo novo modelo, os estudantes do período matutino passarão a sair da escola às 12h35 – não mais às 12h20. No período vespertino, a saída passará a ser às 18h35 – atualmente é às 18h20.

Essas cinco aulas adicionais inseridas na grade escolar ao longo da semana serão reservadas para disciplinas novas, criadas com o intuito de "conectar a escola ao jovem do século 21" e desenvolver o "protagonismo juvenil, trabalho em equipe e inovação", conforme explicou o governo. Serão duas aulas para "Projeto de Vida", duas para disciplinas eletivas, e uma para tecnologia.

Leia também: Bolsonaro diz que meta é implantar um colégio militar em cada capital do País

Em "Projeto de Vida", os alunos terão "atividades práticas de reflexão, diálogo e construção" para que os estudantes adquiram "mais consciência sobre si, melhor relacionamento com os outros, mais responsabilidade em relação ao coletivo e maior clareza e determinação acerca de seus objetivos presentes e futuros". A avaliação dessa disciplina não será por meio de notas, mas sim a partir do desenvolvimento de um projeto final.

Segundo a gestão do secretário de Educação, Rossieli Soares, essa disciplina ajudará os estudantes a desenvolverem competências como o autoconhecimento, a empatia, a resiliência e a gestão de projetos. As atividades prometem ajudar os alunos a desenvolverem "habilidades sociemocionais", o que promete, inclusive, reduzir casos de violência e de bullying nas escolas.

De acordo com o secretário, as competências a serem desenvolvidas com essa disciplina ajudarão a compensar os cinco minutos a menos que os alunos terão em cada aula de disciplinas como matemática, português e história. 

"Todos os estudos apontam que, em uma aula de 50 minutos, hoje, o aproveitamento de aula gira em torno de 50% do tempo. Quando você organiza a rede, você aumenta o tempo efetivo de aula com os professores com foco. Então, aquilo que a gente está trazendo impacta diretamente no cognitivo naquilo que a gente vai fazer. Vamos usar a matemática como exemplo, para que um estudante tenha sucesso na matemática, ele precisa desenvolver a competência do autocontrole, da autogestão. Porque matemática você tem muito treino então, se você não tiver essa competência, você abandona", defendeu Soares. 

Leia também: Projeto faz de espaços públicos sala de aula para moradores de rua

Essas novas disciplinas serão lecionadas pelos professores que já estão na rede estadual – embora o governo também prometa contratar novos profissionais. Aqueles que quiserem atuar nessas novas áreas deverão se inscrever em processos seletivos que serão conduzidos pelos diretores de cada escola. Aos selecionados, será oferecida formação específica. 

Para a implantação do novo projeto para as escolas paulistas, batizado de Inova Educação , o governo paulista assegurou o emprego de R$ 429 milhões, dos quais R$ 129 milhões serão exclusivamente para a aquisição e melhoria dos equipamentos de tecnologia nas escolas.

As novidades no currículo escolar da rede paulista se soma a mudanças que já haviam sido anunciadas na semana passada. Na ocasião, Doria informou que os alunos terão férias reduzidas no mês de julho , mas ganharão mais períodos de recesso ao longo do ano letivo.