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É a primeira vez que a universidade toma essa medida desde 2014, quando aderiu ao sistema em que 35% das vagas são reservadas a alunos cotistas

A relação dos estudantes que foram desligados da Unesp deve ser publicada hoje no Diário Oficial
Reprodução/Wikipedia
A relação dos estudantes que foram desligados da Unesp deve ser publicada hoje no Diário Oficial

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) expulsou 27 alunos que conseguiram vagas por meio do sistema de cotas e não foram considerados nem pretos e nem pardos pela comissão interna da instituição. Essa é a primeira vez que a universidade toma esse tipo de medida. 

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A Unesp anunciou o desligamento dos estudantes nessa quinta-feira (13) e a relação dos nomes deve ser publicada no Diário Oficial hoje, quando o grupo será notificado e terá que deixar oficialmente a instituição. Eles serão proibidos de participar do vestibular nos próximos cinco anos e terão dificuldade para fazer a equivalência das matérias que já cursaram em outras universidades.

É a primeira vez que a instituição toma essa medida desde 2014, quando aderiu ao sistema de cotas na Universidade, em que 50% das vagas são reservadas para alunos vindos da escola pública e, dessas, 35% destinam-se a pretos, pardos e indígenas. Para os primeiros, é aceita somente uma autodeclaração, já os indígenas precisam também de um aval da Funai. 

Após uma série de denúncias, uma comissão foi montada em 2016 para apurar o caso. Nesse tempo, os alunos foram chamados para entrevistas no campus onde estudavam e também na comissão geral da instituição.

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Eles puderam se justificar e apresentar recurso de defesa para mostrar o motivo pelo qual utilizaram a cota.  A maioria dos estudantes disse que aderiram às cotas para negros devido à miscigenação da população brasileira ou por terem ascendentes pretos ou pardos – o que não é permitido pelas regras do sistema. 

Para a expulsão dos alunos, foram analisadas características como cor da pele e dos olhos, tipo de cabelo e forma do nariz e dos lábios. Outros 20 casos ainda estão sendo investigados e a instituição não pretende entrar com ação judicial contra os estudantes. 

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A Unesp pretende agilizar o processo para que as vagas dos alunos expulsos possam ser substituídas por outros estudantes, a instituição está aprimorando o processo para que as averiguações de novos alunos comecem em 2019, logo após a matrícula presencial.