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Dados da Avaliação Nacional da Alfabetização sobre o ensino fundamental foram apresentados nesta quarta-feira (22) na Câmara dos Deputados

Alunos do fundamental não está com nível de alfabetização considerado suficiente em leitura, escrita e matemática
Reprodução/ Twitter
Alunos do fundamental não está com nível de alfabetização considerado suficiente em leitura, escrita e matemática

Metade das crianças de 8 e 9 anos que estudam em escolas públicas do País – cerca de um milhão – não está alfabetizada. Os dados são da Avaliação Nacional da Alfabetização apresentados nesta quarta-feira (22) na Câmara dos Deputados pelo movimento Todos pela Educação.

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Segundo os resultados, metade das crianças do ensino fundamental não está com nível de alfabetização considerado suficiente em leitura, escrita e matemática. O exame foi aplicado no ano passado para 2,1 milhões de alunos da 3ª série de 48 mil escolas públicas. 

A pesquisa apontou que menos da metade dos estudantes (45%) tem desempenho suficiente em leitura e matemática. O índice é um pouco melhor em escrita, com 66%. Em matemática, as maiores notas são da região sudeste, mas mesmo assim apenas pouco mais da metade (57,3%) dos alunos apresentou desempenho considerado satisfatório.

Para o gerente de políticas educacionais do movimento Todos pela Educação, Gabriel Corrêa, o resultado mostra um quadro grave, que compromete o futuro do País. Segundo ele, metade das crianças não conseguiu calcular, por exemplo, quanto é 112 mais 93.

Alunos com aprendizagem suficiente na 3ª série do ensino fundamental (em %)
Divulgação
Alunos com aprendizagem suficiente na 3ª série do ensino fundamental (em %)

"O resultado é um fracasso, é desanimador. Não haverá mudanças significativas se não melhorarmos a educação , fundamental para a melhoria da saúde, para o desenvolvimento econômico, para a segurança”, disse.

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A pesquisa constatou ainda desigualdades provocadas pela diferença de renda. Escolas públicas localizadas em regiões de nível econômico baixo só conseguem ensinar matemática para 14% dos alunos. Em regiões de padrão econômico alto, o índice sobe para 88%.

“Isso em relação às escolas públicas. Se formos considerar as escolas particulares, o nível de desigualdade é muito maior", disse Corrêa.

Meta do PNE

Os integrantes da Comissão de Educação da Câmara apontaram fatores que explicariam os resultados. Para o deputado Ságuas Moraes (PT-MT), é preciso mais investimentos públicos para que o Brasil atinja as metas do Plano Nacional de Educação (PNE). 

Uma das metas é de que todas as crianças de 8 e 9 anos tenham desempenho satisfatório em leitura, escrita e matemática até 2024 – o que, de acordo com o resultado da pesquisa, ainda está longe de ser alcançado.

"O governo não tem se esforçado para cumprir as metas. Caso contrário, não teria congelado os investimentos públicos por 20 anos, entre os quais os investimentos em educação”, disse, se referindo à Emenda Constitucional 95, aprovada no ano passado pelo Congresso.

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Já a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) apontou que a gestão dos recursos e de pessoal também explica os resultados. Ela disse ainda que as universidades não estão preparando professores para o ensino fundamental . "Se você olhar os currículos de formação, as faculdades não capacitam suficientemente os futuros professores para trabalhar com alfabetização", disse.

* Com informações da Agência Câmara

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