
Todos os dias 1º de setembro são festejados em Israel, muito embora a data não esteja ligada a nenhuma comemoração religiosa ou nacional. Afinal, é um momento importantíssimo no calendário de centenas de milhares de famílias com crianças em idade escolar: depois de dois longos meses de férias, inicia-se o novo ano letivo. Não apenas em Israel, mas também nos Estados Unidos.
Neste “front”, ambos os países enfrentam desafios importantes e desconhecidos para os brasileiros. Em Israel, espera-se que este seja um ano sem intercorrências que interrompam os estudos, o que não ocorre desde 2020. Nos Estados Unidos — e também em vários países da Europa —, os olhares mais atentos estão voltados para o conteúdo transmitido nas salas de aula, que vem sendo influenciado, em grande parte, por países que estão entre os principais centros de apoio e financiamento do terrorismo internacional: o Catar e o Irã.
Israel em busca de rotina
Desde o início do período letivo de 2019, as crianças israelenses não passam um ano sem interrupções relevantes em sua rotina de estudo.
A Covid levou ao fechamento de todas as escolas israelenses em 13 de março de 2020, quando mais de 2 milhões de estudantes passaram a estudar em regime de ensino virtual. A tentativa de manter os estudos via Zoom mostrou-se pouco eficaz, especialmente para os alunos do ensino fundamental. As crianças absorveram pouco conteúdo e sofreram muito com a falta de convivência social. Depois de um primeiro e longuíssimo lockdown, seguiram-se outros três.
O ano letivo que se iniciou em setembro de 2023 estava permeado pela esperança de 10 meses de normalidade após os anos de pandemia. Desta vez, foi o Hamas quem impediu sua concretização. O ataque de 7 de outubro levou o país não só a uma guerra que se estende até hoje, como também ao deslocamento temporário de toda a população do Sul e do Norte do país para a região central, em função da guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza e contra o Hezbollah no sul do Líbano.
Muitas famílias desalojadas de suas casas passaram meses a fio (ou mais de um ano) hospedadas em quartos de hotel, durante os quais o Ministério da Educação, ONGs e iniciativas privadas tentaram estabelecer alguma rotina estudantil. Quando o clima de normalidade parecia começar a se instaurar, a guerra contra o Irã, em abril de 2024, interrompeu as aulas por várias semanas.

Estes são apenas os aspectos materiais desse cenário de descontinuidade. O trauma, as perdas, a insegurança e o caos familiar vividos pelas crianças israelenses renderão estudos, teses e livros nos próximos anos.
Influência estrangeira nos EUA
O desafio dos pais americanos é outro, menos visível. Muito se tem divulgado sobre as doações bilionárias do Catar ao sistema universitário americano (e também ao europeu). Não à toa, universidades como Columbia, Cornell e Harvard tornaram-se os principais palcos de manifestações acaloradas e bem financiadas contra Israel e o Ocidente.
Agora, vêm à tona informações que mostram que a influência estrangeira não se limita ao universo do ensino superior americano. O Programa de Segurança Nacional e Educacional, instituto fundado pelo think tank americano The Foundation for Defense of Democracies (FDD), divulgou os resultados preliminares de uma pesquisa que evidencia a magnitude da vulnerabilidade do sistema educacional americano.
Um dos objetivos do instituto é rastrear e compreender como as doações de países estrangeiros, entre eles o Catar, o Irã e a China, moldam o pensamento de estudantes americanos do ensino fundamental e do ensino médio. Até o momento, foram rastreados US$ 11 milhões — certamente a ponta do iceberg —, destinados a 29 programas escolares em várias cidades do país.
Que não se enganem os brasileiros: o mesmo está acontecendo em território nacional.
Recitação do Corão em sala de aula
A diretora do Programa de Segurança, Brandy Shupatensky, doutora em Educação pela Universidade de São Francisco, apresenta exemplos de uso desses fundos. “Em cursos de língua e cultura árabe, por exemplo, não se ensina apenas o idioma: as crianças recitam trechos do Corão e as meninas são encorajadas a experimentar o hijab (o véu usado pelas muçulmanas religiosas). Ou seja, não está se ensinando sobre a cultura, mas sim vivenciando a prática da religião islâmica”.
O Irã também tem acesso às instituições de ensino americanas por meio do financiamento. Estes, até o momento, chegaram a 12 escolas por meio do Banco de Desenvolvimento Islâmico, que tem o Irã como seu terceiro maior acionista e membro da diretoria executiva. Ou seja, o regime iraniano exerce influência direta sobre a forma como os fundos são utilizados.
