Campanha “Desate o Nó”, do Instituto Bandeirantes e da BETC Havas, usa o nó da gravata para abrir espaço à conversa sobre saúde mental
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Campanha “Desate o Nó”, do Instituto Bandeirantes e da BETC Havas, usa o nó da gravata para abrir espaço à conversa sobre saúde mental

Setembro Amarelo costuma colocar a saúde mental no calendário das marcas. O desafio é não deixar o tema preso a uma campanha que começa e termina no mês de setembro.

O Instituto Bandeirantes e a BETC Havas encontraram uma maneira simples de criar um ponto de atenção: desatar o nó da gravata de um âncora durante o Jornal da Band.

Uma quebra de protocolo que chama atenção

A imagem funciona porque quebra uma expectativa. A gravata faz parte do código visual do telejornal. Quando o nó aparece desfeito, algo parece fora do lugar. É nesse estranhamento que a campanha "Desate o Nó" começa a conversar com o público.


A ideia parte de uma expressão conhecida: o "nó na garganta". Aquela sensação associada ao que não foi dito, ao sofrimento guardado e à dificuldade de pedir ajuda.

Em vez de transformar o conceito numa peça isolada, a campanha leva a metáfora para diferentes pontos de contato. Televisão, rádio e redes sociais passam a funcionar como extensões da mesma conversa.

É uma escolha importante para uma causa como essa. Comunicação sobre saúde mental não depende só de uma frase de efeito: precisa criar espaço para que o assunto entre na rotina das pessoas. E a televisão tem um papel particular nesse movimento, porque uma intervenção durante um telejornal não depende de o público procurar a campanha. Ela encontra o público onde ele já está.

Masculinidade e o silêncio diante do sofrimento

Há também uma camada especialmente relevante na estratégia: a conversa sobre masculinidade. A própria campanha associa o "nó" à pressão para demonstrar força e ao silêncio diante do sofrimento emocional.

Ao colocar essa discussão num ambiente tão associado à formalidade, a comunicação cria um contraste interessante.

O que a publicidade pode aprender com o gesto

Nem toda campanha de causa precisa disputar atenção com uma grande produção ou com uma enxurrada de elementos visuais. Às vezes, uma pequena quebra de protocolo consegue fazer mais barulho porque mexe com algo que as pessoas reconhecem imediatamente.

O nó da gravata não resolve a questão da saúde mental, obviamente, e nem pretende. Seu papel é outro: abrir a conversa.


A campanha não tenta transformar uma causa complexa numa resposta simples. Usa um símbolo cotidiano para lembrar que aquilo que fica preso na garganta também precisa de espaço para ser dito.

Com isso, "Desate o Nó" fala de saúde mental, mas também do papel da comunicação em causas sociais: menos respostas prontas, mais oportunidades para que certos assuntos deixem de ser invisíveis. Para uma campanha de Setembro Amarelo, é um bom ponto de partida.

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